Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 31/08/2018

Quatro vidas

Segundo o Ministério da Saúde, com apenas uma doação de sangue é possível salvar até quatro vidas. Todavia, obstáculos para a efetivação das doações são recorrentes no Brasil, haja vista que o Estado não demostra preocupação com o tema. Sob esse viés, é primordial analisar o impedimento de doações feitas por ‘‘gays’’ e a necessidade de campanhas que respeitam a diversidade cultural do país.

Em primeiro plano, a rejeição de doações de sangue feitas pela comunidade LGBT devem ser discutidas com serenidade pelo Governo. Nesse sentido, apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter iniciado o debate sobre a institucionalidade de tal exclusão, sobretudo de homens que fazem sexo com homens (HSH), não houve avanço na resolução do problema. Com isso, em um Estado onde não existe consenso sobre determinado assunto, principalmente quando tange direitos e deveres de minorias, colabora para a persistência dos impasses.

Outro fator determinante, nessa problemática, é a importância de campanhas que zelam pela diversidade cultural do país. Dessa maneira, segundo o antropólogo brasileiro Roberto DaMatta, é necessário considerar a história de um povo para que se tome decisões futuras. Sob esse prisma, as campanhas que visam atrair novos doadores de sangue devem respeitar a cultura de cada região da nação verde-amarela, uma vez que o conhecimento sobre o tal assunto é diferenciado de um município para outro, assim com os mitos ou tabus sobre a doação.

Diante dos fatos supracitados, portanto, cabe a ONGs dos Direitos Humanos, em parceria com os meios de comunicação – como as TVs, os jornais e as rádios –, promoverem, por meio de programas, matérias jornalísticas e documentário, a necessidade de debater, urgentemente, a importância da aceitação das doações de sangue dos grupos LGBT e exigir a retomada da discussão pelo STF. Outrossim, o Ministério da Saúde, com o apoio dos municípios, deve investir em campanhas municipais que foquem, em cada região, nos mitos e nos tabus sobre a doação de sangue mais presente, com palestras em postos de saúdes das comunidades, ‘‘workshop’’ em praças públicas e destruição de livretos sobre a importância da doação de sangue. Nessa conjuntura, espera-se que cada doador salve até quatros vidas por meio da efetivação do seu ato solidário.