Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 01/09/2018

No conto “O homem que sabia javanês”, de Lima barreto, o protagonista Castelo discursa sobre a falta de empatia para com os outros e o individualismo exacerbado. Apesar de diferentes temas e da qualidade da obra, a doação de sangue no Brasil encontra como um de seus empecilhos os deméritos de Castelo. A partir disso, cabe analisar como a deficiência nas campanhas e a burocratização do sistema provocam tal problemática no país.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que, o baixo incentivo atrelado a falta de empatia para com o próximo são algumas das causas em que se dá a problemática. Pesquisas apontam que apenas 1,8% da população brasileira é doadora, isso é uma transcendência da escassez de divulgação de como é importante doar sangue, da complexidade em saber os locais para doar, os prós para ser um(a) doador(a), os mitos e as verdades sobre o assunto. Além do mais, estudos mostram que cerca de 36% da dificuldade de doação está nas pessoas, que não se importam ou não sentem necessidade de doar.

Ademais, a burocratização do sistema coletor causa atenuação nas doações, uma das causas é a proibição da doação de sangue feita por homossexuais. De acordo com a OMS, os cidadãos que têm relações homoafetivas constituem o chamado “grupo de risco”, pois nos anos 80, houve o auge da epidemia do vírus HIV. Contudo, a orientação sexual do indivíduo não pode ser critério de seleção, mas sim, a condição de saúde é que deve ser levada em consideração, uma vez que a Aids também é transmitida por heterossexuais.

Destarte, visto que há obstáculos para a doação de sangue no Brasil, são necessárias medidas para resolver a problemática. Primeiramente, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com a mídia e a fundação Pró-sangue, realizem campanhas informativas na televisão, rádio, redes sociais e outdoors, sobre a doação de sangue e incentive a população a ser solidária e doar, pois como citou Franz Kafka “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Logo, os indivíduos saberão a importância da doação. Ademais, o governo em parceria com a OMS, devem alterar as leis que excluem os homossexuais da doação e investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença. Dessa forma, o número de voluntários aumentaria e ajudaria aos pacientes que carecem de transfusão sanguínea.