Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
Alteridade
O livro “A Culpa É Das Estrelas” de John Green ilustra as dificuldades enfrentadas na transfusão sanguínea por uma jovem devido a doenças hemolíticas. Analogamente à Literatura, hoje, o Brasil vivencia uma série de complicações no compartilhamento de sangue, cujo hábito de não doação é latente, bem como a logística estatal tarda na execução dos projetos. Dessa forma, a problemática é negligenciada pelo inativismo cidadão e pelo défice infraestrutural.
Embora a Globalização seja embasada na difusão de saberes, fica evidente que o povo é corriqueiramente alienado por redes supérfluas de interação. De acordo com essa perspectiva, os grandes monopólios detentores do poder informacional transmitem notícias falsas — conhecidas como “fake news” — que perpetuam o medo populacional a políticas coletoras de hemácias, propicia uma burocratização excessiva e, consequentemente, delibera um Estado de carência múltipla, haja vista que, cada indivíduo vai cuidar apenas de si. Seguindo esse raciocínio, Rousseau estava correto ao dizer: " O homem nasce bom, mas por todos os lados se encontra acorrentado".
Concomitantemente a essa dimensão social, o renomado geógrafo Milton Santos afirma que as regiões Sul e Sudeste tendem a concentração dos fluxos, corroborando-se ao acúmulo de riquezas, gradiente intelectual e representação do patrimônio nacional. Partindo desse pressuposto, locacionalidades segregadas, como estados do Norte e Nordeste, notificam o desamparo com os hemocentros que não conseguem gerenciar os estoques de eritrócitos e garantir assessoria técnica no translado aos hospitais. Assim, usurpa-se um círculo vicioso de desigualdade e abandono pelas entidades públicas.
Urge, portanto, a tomada de medidas para resolver o impasse. Na situação em que se encontra o corpo social democrático, percebe-se quantos e quais são os obstáculos para a concessão de glóbulos vermelhos no país. Enfim, é imprescindível que o Ministério da Saúde, através de verbas e ações destinadas ao viés coletivo, crie “agências transfusionais”, espécie de filial dos postos coletores de conteúdo avermelhado dentro dos centros médicos, a fim de conurbar as zonas excluídas de suporte e possibilitar a prática da alteridade com os enfermos. Simultaneamente, deveria o Ministério das Comunicações gerir uma instituição no combate a dados caluniosos, da mesma forma que indagar o desenvolvimento do senso crítico nos brasileiros por meio de anúncios, propagandas e plebiscitos que ponham o assunto em xeque. Logo, com a assimilação da natureza do que é distinto, pode-se afirmar que a pátria educadora oferece mecanismos exitosos para amenizar os distúrbios do problema.