Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os indivíduos o direito à vida. Entretanto, a falta de informação e o individualismo são uns dos obstáculos para a doação de sangue no Brasil, impedindo-o uma parcela de pessoas de usufruir desse direito na prática. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias na problemática em questão.
Deve-se pontuar, de início, que de acordo com o Ministério da Saúde, menos de 2% da sociedade brasileira doa sangue regularmente, logo, a falta de informação sobre esse processo é um fator inquestionável e responsável pelos baixos índices. Isso acontece porque, segundo Naura Faria, chefe de atendimento ao doador de Hemocentro do Rio de Janeiro, a doação ainda é cercada por mitos. Nessa lógica, muitas pessoas acreditam, erroneamente, que ao doarem sangue uma vez serão obrigadas a sempre repetir o ato. Ademais, acreditam também que poderão contrair alguma doença infecciosa. Por consequência, os estoques de sangue não crescem o suficiente, e, por conta do desconhecimento, muitas pessoas propicias à essa ação ficam em inércia.
Além disso, o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, que explica que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós modernidade, e, como resultado, leva-se muitos indivíduos a não desenvolverem laços afetivos. Desse modo, o sujeito, ao estar nesse panorama líquido, tende a não perceber a necessidade dos outros que o cerca. Assim, um simples gesto, porém grandioso de compaixão, ajuda muitos cidadãos que necessitam de uma transfusão para salvar a sua vida.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar o impasse. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve disseminar nos meios comunicações, propagandas de cunho educativos que informem como é de fato o procedimento de transfusão sanguínea, além de incentivar à doação. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com escolas, incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar, desde o nível infantil até o médio. Essas aulas, com o intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade, deverão difundir o ato da empatia. À vista disso, o Brasil poderá aumentar o número de doadores, bem como alcançar o direito democrático proposto em 1988.