Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/09/2018
Cirurgias, transplantes e atendimentos de urgência. A doação de sangue é essencial para a realização de tais elementos. O Brasil está numa posição favorável acerca deste ato de solidariedade e de cidadania segundo a Organização Mundial da Saúde. No entanto, em algumas épocas do ano, como inverno, recessos, festas de fim de ano, carnaval, os estoques nos hemocentros do país ficam comprometidos, o que evidencia a carência de iniciativas que promovam a manutenção da doação de sangue devido, sobretudo, à irresponsabilidade social para tal ação e à falta de investimentos do poder público, constituindo desafios a serem enfrentados.
Primeiramente, conforme exprime Ray Bradburry, em seu livro Fahreiheit 451, é essencial difundir informações na sociedade, para desalienar as pessoas, o que ilustra a necessidade da população de se conscientizar de tudo que envolve a doação de sangue, a fim de agirem de modo cidadão para uma causa social. Até a Constituição vigente, o governo remunerava os doadores. Nessa direção, a partir de 1988, o Brasil convive com poucos doadores voluntários, comprometendo a captação contínua de sangue, e muitos doadores de reposição, que doam para parentes em momentos de dificuldade. Dessa forma, é preciso estimular a responsabilidade social para ocasionar a eficiência da doação.
Além disso, quando Raymundo Faoro enuncia que o Brasil herdou de Portugal um Estado patrimonialista e burocrático, demonstra-se a grande influência do poder público nos obstáculos os quais dificultam a doação de sangue, haja vista a deficiência estrutural de agências transfusionais. Essas entidades promovem a comunicação entre os hemocentros e os hospitais. Nessa perspectiva, o pouco investimento nessas agências acarreta a perda de bolsas de sangue e problemas na qualidade do produto. Nesse sentido, um paciente pode vir a óbito porque não recebeu quantidade de sangue suficiente, na medida em que não houve comunicação das instituições. Dessa forma, para combater os obstáculos, não basta apenas aumentar o volume das doações sem melhorar a eficiência do processo.
Fica claro, então, o mau prognóstico do desenvolvimento do ato de doar sangue no Brasil. No propósito de minimizar tal problemática, as Secretarias Estaduais de Saúde, associadas aos hemocentros e às escolas, devem fomentar a fidelização dos indivíduos nessa questão social por meio da promoção de campanhas com instrução enumerando as regras da doação, bem como elucidando a consequência positiva do ato, que é salvar vidas, porque, assim, o cidadão se sensibilizará e se tornará voluntário. Ademais, o Ministério da Saúde deve financiar a construção de agências transfusionais por meio de subsídios aos hospitais públicos, pois melhorará a interação hemocentro-hospital. Logo, a tendência é o Brasil, de fato, apresentar posição favorável a respeito da doação.