Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 17/08/2020
Em um episódio de “Black Mirror”, série britânica que realiza críticas à dependência tecnológica da sociedade contemporânea, demonstra-se como ocorre a imposição de um corpo de mulher padronizado pela visão do personagem principal, que recebe frequentemente conteúdo pornográfico para assistir e só é cerceado disso em troca de dinheiro. Tal problemática se observa na realidade pela objetificação da mulher na história, gerando de consequência uma danificação gradativa da produtividade feminina.
A priori, torna-se visível pela história esse fato que é a vista da mulher como objeto em obras como Iracema, clássico do Romantismo brasileiro. Na obra, é retratada a índia, como uma mulher perfeita, atrativa e fora do que era realmente, criando o primeiro conceito de imposição estética no Brasil. Na sociedade hodierna, essa objetificação do sexo feminino permanece retratada pela idealização da mulher em propagandas, sendo um acontecimento usual na publicidade de marcas de cerveja, por exemplo. Sendo assim, não há como opor que a imposição de um padrão corpóreo feminino não seja um traço cultural que induz a sociedade, especialmente mulheres, a traçarem um corpo feminino ideal.
Ato contínuo, torna-se comum a busca de um ideal entre todas as mulheres: a busca de um corpo taxado perfeito, o que prejudica gravemente a mentalidade de quem o procura. De acordo com a revista Psychological Science, a preocupação feminina com o próprio corpo terceiriza sua atuação em sociedade, visto que, com o excedente de preocupação com tal detalhe, mulheres são inseridas em um processo de banalização do raciocínio, perdendo a concentração do que se passa em seus arredores por direcionarem seus pensamentos prioritariamente ao físico. Com tal bloqueio do pensamento, ocorre a delimitação da existência, pela ótica de Descartes, que a descreve como fruto do pensamento.
Como conclusão, para diminuir a problemática sexista vinda da objetificação feminina, medida a qual poderia ser tomada seria a elaboração, por parte do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, de centros de atendimento e suporte psicológico em centros urbanos que pretendessem conscientizar o sexo feminino sobre o malefício proferido pela extrema sexualização. Por conseguinte, tal projeto iria corroborar auxiliando aquelas que desprezam o corpo por não se enquadrar no padrão, visando encerrar o olhar ao próprio físico como objeto e aumentando a valorização da pessoa da maneira como é, evitando, pois, adiar o mal de hoje a ser resolvido amanhã, conforme dizia Confucio.