Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 20/08/2020
Segundo Pierre Bourdieu:“Aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”, com isso, observa-se que o papel exercido pela mídia ao realizar publicidades em que mulheres são objetificadas reflete esta disfunção. Nesse sentido, é de suma importância entender a origem desse problema na sociedade e como ele afeta esse grupo que é representado como um objeto sexual.
Primordialmente, de acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Esse panorama auxilia na análise da questão da objetificação da mulher na publicidade, visto que a comunidade, historicamente, teve uma formação patriarcal, estruturada colocando a figura do homem/pai em uma posição de superioridade e atribuindo a ele o papel de sustentar a casa, enquanto a mulher é submissa à vontade masculina. Desse modo, como a mídia é um reflexo da nossa sociedade, retrata seus pensamentos e ideias machistas.
Em segundo plano, é oportuno pontuar as consequências desse fenômeno. Uma delas é a estereotipificação da mulher e o estabelecimento de padrões estéticos irreais. Uma vez que o julgamento inicial de uma pessoa se dá pela aparência, existe uma expectativa do que é bonito e feio, como consequência, há exclusão e depreciação das pessoas que não atendem a esses padrões impostos pela sociedade. Além disso, outra consequência danosa é que mulheres que vivem em ambientes de objetificação tendem a se auto-objetificar e a objetificar outras mulheres, sofrendo, assim, danos de autoestima e de socialização, conforme revela uma pesquisa publicada na Psychological Science em 2013, em que mulheres que apresentam altos níveis de auto-objetificação tendem a ser menos ativas socialmente. Dessa maneira, fica evidente que esses problemas podem levar a sérias consequências físicas e mentais para esses indivíduos, além de sua exclusão social.
Fica clara, portanto, a necessidade de mudar esse pensamento da sociedade. Sendo assim, cabe a mídia parar de criar e disseminar publicidades que objetifiquem as mulheres, para que o estereótipo de que esses cidadãos são apenas objetos sexuais seja desconstruído. Ademais, o Ministério da Educação, MEC, em conjunto com as escolas, deve planejar palestras orientando os jovens sobre as consequências da objetificação da mulher e debates sobre a igualdade de gêneros, de modo a construir uma sociedade livre de preconceitos e discriminações.