Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 02/07/2020

A priori, o pensamento ocidental, regido pela dicotomia, sugere a relação entre sujeito e objeto. Nesse sentido, sujeito é aquele que age, enquanto objeto é aquilo que sofre a ação. Em suma, ao objetificar a mulher na publicidade é tirado desta o direito de ser sujeito, ou seja, escolher e agir segundo sua vontade, restringindo-a apenas a ideia de ser útil a alguém. Dessa modo, o machismo e sexismo são promovidos em sociedade, além da cultura de auto-objetificação.

Cotidianamente, propagandas de bebidas alcoólicas, por exemplo, associam mulheres à bebidas, não como quem consome, mas como quem as serve para pessoas do gênero oposto. Assim, ao colocar a mulher na posição de servir e o homem na de quem precisa ser servido, fica clara a inferioridade com que as mulheres são representadas e como isso é prejudicial à igualdade de gênero. Uma vez que, na propaganda não há paridade, apenas submissão.

Por certo, a problemática ainda se faz presente mediante a cultura de auto-objetificação que a mesma fomenta. Isto é, a propaganda exerce grande poder sobre as opiniões e condutas do público, logo, ao colocar a mulher como objeto na publicidade, segundo Heldman, é internalizado nesta a necessidade de parecer o máximo possível com o modelo apresentado. Consequentemente, além de limitar as possibilidades da mulher, causa sérios danos quando o “modelo” não é alcançado, como funcionamentos cognitivos deprimidos, transtornos alimentares, depressão, dentre outros.

Diante do apresentado, é notável a necessidade de combater o machismo, sexismo e a cultura de auto-objetificação causados pela problemática. Portanto, é preciso que haja parceria entre Governo e Sociedade Civil Organizada a fim de de proibir a objetificação de mulheres na publicidade, tornando cabível de multas, suspensões e advertências, por exemplo, por meio da aprovação e ampliação de leis e políticas públicas. Dessa forma, a problemática será superada e haverá maior paridade entre os gêneros.