Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 25/06/2020

A série “Coisa Mais Linda”, retrata a posição social das mulheres no século XX e todas as dificuldades enfrentadas por elas para que conseguissem autonomia e representatividade. Nesse contexto, observa-se a analogia com a objetificação da mulher, visto que uma das causas para tal problema é o histórico machista em conjunto com algumas práticas atuais de publicidade. Logo, tornam-se imprescindíveis caminhos para reverter a problemática descrita.

A trajetória histórica da humanidade, mostra a mulher em momentos distintos sendo inferiorizada em relação ao homem, como na conquista do poder de voto, dado às mulheres apenas em 1927 no Brasil. Contemporaneamente, além dos resquícios do patriarcalismo, outros fatores influenciam a objetificação das mulheres, como as músicas com linguagem pejorativa e sensualizada. Outro fator que trabalha objetificando a mulher, é as propagandas, com meninas com pouca vestimenta, a fim de atrair olhares masculinos, por conseguinte, maior adesão ao produto mencionado. Um exemplo é o marketing da marca “skol”, o qual retratou uma mulher apenas de short e biquíni, levando a cerveja à mesa a um grupo de homens. Dessa maneira, evidencia-se a visão de servidão relacionada às mulheres e a manipulação causada pelas propagandas e demais canais publicitários.

Consequentemente, os efeitos da objetificação da mulher são muitos, entre eles, o aumento da violência doméstica para com elas, uma vez que retoma a ideia de submissão aos homens, e a permanência da cultura do estupro, haja vista que as músicas remetem a sexualização feminina. Em contrapartida, outro prejuízo desse cenário é o retrocesso feminino na conquista de cargos públicos, postos de serviço, remuneração igual à dos homens e representatividade social. “Apesar dos avanços conquistados e dos compromissos assumidos para continuar progredindo, as perspectivas das mulheres no mundo do trabalho ainda estão longe de ser iguais às dos homens”, disse em um site a Diretora-Geral Adjunta de Políticas da OIT, Deborah Greenfield, comprovando a demora nessa realidade.  Assim, busca-se, urgentemente soluções que combatam os conflitos supracitados.

Portanto, a fim de minimizar o quadro da objetificação da mulher, faz-se necessária a fiscalização das propagandas, por meio da contratação de profissionais especializados, com a atuação do governo, investigando cada produção e impedindo que sejam publicadas em caso de degradação da imagem feminina. Ademais, campanhas de cunho conscientizador, com o auxílio do governo, nos canais midiáticos, ampliando o senso crítico da população a respeito da valorização da mulher e os danos advindos de sua objetificação, com o intuito de acaba-la. Dessa forma, ter-se-á uma sociedade mais séria e distante daquela descrita no seriado “Coisa Mais Linda”.