Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 26/05/2020
Fetichismo Mercadológico é um conceito marxista designador da criação fantasiosa de símbolos à mercadoria, de modo a incluir objetificação da mulher em peças publicitárias, a qual implica na depredação simbólica de sua representação na coletividade, haja vista que sua presença é tida como um produto comercial. Nesse sentido, a cultura de subjugação feminina e perpetuação do patriarcado constam como fatores preponderantes ao impasse.
O posto de Menoridade é, denominado pelo filósofo Kant, como o estágio de inferiorização do ser e remete à perda de sua individualidade. Nesse ínterim, a presença da figura feminina na publicidade é usada como artifício que visa propagar e perpetuar conceitos sexistas e misóginos diante da coletividade; para tal, posturas de mulheres como objetos sexuais são utilizadas para dar voz à cultura do menosprezo e da desqualificação. Diante do exposto, observa-se este feito pelo filme de Stanley Kubrick , Laranja Mecânica, no qual, em uma das cenas, o protagonista Alex coloca os pés sobre uma mesa com o formato do corpo de uma mulher nua em posição pejorativa. Em outros aspectos, cita-se a campanha publicitária da marca Mr.leggs, a qual exibe uma mulher posta como tapete e um homem pisando sobre sua cabeça. Em suma, a figura feminina é constantemente colocada em estágio de menoridade, depredada em benefício de uma irreal superioridade masculina e de um desumanizador sistema comercial, criador de uma rede de fetiches pela mercadoria.
Além disso, publicações que divergem de princípios éticos objetificam a mulher e reforçam o abismo social entre os gêneros gerado pelo Patriarcado- construção histórica afirmativa da heteronormatividade masculina. Assim, comprova-se este fato pela propaganda da marca Van Heusen, a qual exibe uma mulher ajoelhada aos pés de um homem e cujo título diz: “Mostre a ela que o mundo é dos homens”. Nesse sentido, é necessária a criação de mecanismos sociais para diminuir as diferenças inter-gênero historicamente produzidas e de novas representações no universo midiático.
Portanto, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deverá criar políticas afirmativas sobre as cidadãs brasileiras, por meio da organização de artigos publicitários propagados na redes televisivas e redes sociais, de modo a explanar os direitos conquistados pelas lutas feministas, com o objetivo de minimizar a desigualdade de gênero na população e fortalecer uma minoria constantemente espoliada pela mídia. Ademais, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá elaborar diretrizes mais rígidas de fiscalização e punição de peças propagandísticas de cunho misógino e sexista, por meio da melhor capacitação dos profissionais da área, por intermédio de cursos temáticos online, a fim de desconstruir a atual tendência de coisificação da mulher na publicidade.