Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 04/06/2020

Dentre os diversos fatores que envolvem a desigualdade existente entre os homens e as mulheres na sociedade, um aspecto sutil, porém, igualmente preocupante, é a objetificação da imagem feminina. Esse fenômeno consiste na diminuição de um indivíduo a nível de objeto, sem considerar seu estado emocional ou psicológico, e é fortemente empregado em propagandas, como um meio para atrair o público-alvo. Nesse contexto, é essencial compreender os efeitos nocivos dessa prática, sobretudo a ratificação da subjugação das mulheres no meio social e a imposição de padrões estéticos considerados ideais.

Inicialmente, vale destacar que, de acordo Selma Felerico, professora de Marketing, Comunicação e Consumo, “a publicidade é o espelho da sociedade em que ela está. Ela não cria hábitos, ela retrata hábitos”. Consoante a essa ideia, infere-se que, na medida em que a figura feminina é objetificada nas propagandas midiáticas, torna-se clara não apenas a presença de resquícios da cultura patriarcal na contemporaneidade, mas também o desinteresse midiático em relação à promoção da igualdade de gênero. Isso porque, uma vez que se recorre a instrumentos como a sexualização da imagem feminina em busca do lucro e da conquista do consumidor, impulsiona-se a cultura de subjugação da mulher na sociedade, a qual assume a posição de mero objeto de desejo dos homens.

Além disso, a objetificação da imagem feminina por meio da constante veiculação de um esteriótipo corporal padronizado pela mídia publicitária faz com que grande parte da população desenvolva a ideia de que a boa aparência é apenas aquela que atende a tais padrões. Em prova disso, aponta-se que, de acordo com a a pesquisa Imagem Corporal (Body Image), realizada pela marca de cosméticos Dove, folhear uma revista por apenas 60 minutos reduz a autoestima de mais de 80% das meninas. Como consequência, são gerados danos de autoestima e de socialização, o que enfatiza o caráter nocivo da forma como é retratada a imagem das mulheres nas propagandas.

Portanto, a problemática supracitada exige medidas para sua superação. Assim, é necessário que o próprio setor publicitário preocupe-se com a valorização das mulheres para além da estética, por meio da divulgação de sua imagem como indivíduos autônomos e capazes. Desse modo, é possível combater o patriarcalismo remanescente nos dias atuais, bem como a supervalorização dos padrões estéticos. Ademais, é preciso que o Poder Legislativo criminalize a divulgação de propagandas com conteúdo sexista, por meio da elaboração de leis que criminalizem a difusão de comerciais com caráter de objetificação feminina, a fim de inviabilizar tal prática de incentivo ao consumo. Dessarte, poder-se-á mitigar a ocorrência da exploração da figura das mulheres no meio publicitário.

O que precisa ficar claro é que a publicidade é o espelho da sociedade em que ela está. Ela não cria hábitos, ela retrata hábito