Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 09/05/2020

A publicidade tem como função principal exibir produtos e serviços por meio de propagandas apelativas, no intuito de atrair os consumidores. No viés, a objetificação da mulher é uma atividade rotineira na qual empresas tratam o corpo feminino de maneira sexualizada em busca de obter maior sucesso em suas propagandas. Nesse contexto, a sociedade machista e a desigualdade de gêneros são fatores que contribuem para a permanência dessa questão. Porém, decerto, é imprescindível que essa realidade mude, pelos riscos que traz tanto à integridade das mulheres quanto a harmonia social.

Em primeiro plano, é importante salientar o quanto a presença de esteriótipos machistas enraizados na sociedade influenciam na objetificação da mulher. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar as ideias do escritor barroco Gregório de Matos, o qual afirma em um dos seus poemas “Se a beleza hei de ver para matar-me com o pecado, antes olhos cegueis”.  Com base nisso, interpreta-se que desde o período colonial no Brasil, a literatura barroca se dirigia a mulher como um símbolo de sedução, como figura visual para atrair os homens. Dessa forma, na contemporaneidade, como herança dos tempos coloniais, a industria publicitária refletida na mídia, filmes, revistas e jogos se utiliza da figura feminina para lucrar, sendo comum ver mulheres usadas como objeto sexual a todo tempo.

Outrossim, vale evidenciar a desigualdade de gêneros que decorre na sociedade. Para compreender melhor a ideia, é oportuno mencionar o que defende a escritora Simone de Beauvoir, a qual assevera que “O homem é definido como ser humano e a mulher como fêmea”. Infere-se, assim, que, a exposição feminina como objeto nas publicidades, contribui para a falsa premissa de que o sexo masculino é superior, a mulher é vista como “fêmea”, responsável por suprir os desejos masculinos. No entanto, essa visão é prejudicial a sociedade pois aflora a desigualdade de gêneros no âmbito social como é vista comumente no mercado de trabalho, que apesar da mulher realizar a mesma função do homem, ganha menos, e isso reforça a cada dia a disparidade entre gêneros.

Diante o exposto, medidas são necessárias para mitigar a objetificação da mulher na publicidade. Logo, a fim de extinguir publicidades de cunho machista na sociedade, o Ministério dos Direitos Humanos deve ofertar cursos de capacitação as empresas de publicidade para realizarem a análise das que envolvam objetificação feminina, no intuito de extinguir aquelas que tenham características que ferem a integridade das mulheres. Ademais, compete a ONGs e ao Ministério da Educação, a divulgação de panfletos e informações que abordem a igualdade de gêneros, por fim de informar a sociedade de que as mulheres não são símbolos de objetificação sexual e merecem o respeito e a igualdade ao sexo oposto. Sendo assim, poder-se-á solucionar essa problemática.