Objetificação da mulher na publicidade

Enviada em 03/03/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a objetificação da mulher na sociedade apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da publicidade machista, quanto do péssimo serviço de transporte público no Brasil.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a inferiorização do sexo feminino deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, as quais permitem a veiculação de propagandas que tratam as mulheres como um simples troféu ou objeto de desejo, muitas das vezes, o homem que cresceu rodeado de propagandas misóginas se vê no direito de assediá-las, e tratá-las como sexo frágil. Isso tem graves consequências, pois valendo-se de sua falsa “superioridade” o sexo masculino pode vir a cometer vários tipos de abusos, inclusive sexuais.

Ademais, é imperativo ressaltar o precário transporte de massa como promotor do problema. De acordo com o site www.g1.globo.com, em 2019, 97% das mulheres relataram que já sofreram algum tipo de abuso no transporte público no Brasil. Partindo desse pressuposto, existem pessoas que aproveitam da grande lotação dos meios transportes para cometeram vários crimes de cunho sexual, e utilizam o anonimato como subterfúgio a fim de reincidi-los. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a impunidade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar os crimes cometidos contra a mulher, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério dos Transportes, será revertido em métodos coibitivos para essas atrocidades , por meio da criação de regras, as quais destinem um lugar especifico ao sexo feminino em todo tipo de transporte público. Também é de extrema importância a desestimulação, por parte do governo, do consumo de produtos veiculados a propagandas sexistas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da desvalorização da mulher brasileira, e a coletividade alcançará a Utopia de More.