Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 12/02/2020
Sabe-se que a objetificação da mulher está presente em vários setores sociais, nos quais a imagem feminina é reduzida, tão somente, a aparências, e não definida por sua capacidade intelectual e seu valor intrínseco como indivíduo. No contexto histórico, a representação da mulher foi sempre usada nas artes visuais e na publicidade de maneira desrespeitosa. Na era contemporânea, apesar de ter conquistado seu espaço em vários âmbitos da sociedade, a mulher ainda sofre vários tipos de abusos físicos e psicológicos. Nesse sentido, é necessário identificar o porquê dessa prática ter se perpetuado, pois ela causa danos irreparáveis para a mulher e cria padrões nocivos dentre a comunidade.
Considera-se que a objetificação feminina é uma reação em cadeia que vem se nutrindo por diversos elementos ao longo da história. A sociedade patriarcal machista contribuiu, muitíssimo, para a construção dessa ideologia: que o mundo é dos homens, e que as mulheres são seres inferiores quanto a eles. Hoje, na esfera coorporativa, por exemplo, o sexismo ainda é muito evidente. Em 2018, uma pesquisa realizada pelo o IBGE indicou que as mulheres estavam à frente dos homens por 4,4% em nível de ensino superior. Porém, apesar desse fato, foi constatado que a mulher ganha em média 79,5% do salário do homem. Com isso, fica evidente que a desigualdade de gênero, mesmo que silenciosa, está inserida no modelo da sociedade nos dias atuais.
Contudo, seria um erro grave supor que a objetificação feminina seja, puramente, uma manifestação da sociedade patriarcal, pois a “auto-objetificação”, do mesmo modo, tem sustentado certos padrões culturais danosos. No Brasil, as revistas de entretenimento eróticos masculinas, também, tem fomentado tal concepção. A saber, em uma entrevista para o Globo Ela, Juliana Paes afirmou: “Eu nunca tive pudor com o corpo… é uma ferramenta de trabalho”. A “auto-objetificação” gera um impacto ainda maior dentre as mulheres, porque elas enxergam a si mesmas como um objeto de satisfação do desejo sexual masculino. Ou seja, mesmo que inconscientes, essas mulheres contribuem com a criminalidade, bem como o incentivo da objetificação de outras mulheres.
Diante do exposto, a objetificação do corpo feminino tem se perpetuado não apenas pela herança cultural machista, mas também, pela “auto-objetificação”. Portanto, deve-se combater a objetificação feminina por intermédio dos órgãos controladores da mídia, para que haja a criminalização da exposição indevida da figura da mulher; a fim de desconstruir, aos poucos, os seus efeitos negativos. Semelhantemente, para haver a conscientização da mulher, o MMFD precisa intervir por meio de projetos sociais através de ONGs, palestras e campanhas publicitárias. Dessa forma, a mulher será empoderada pelo reconhecimento do seu valor, e ganhará força na sua luta pela igualdade de gênero.