Objetificação da mulher na publicidade
Enviada em 08/02/2020
Sabe-se que, na atualidade, a objetificação da mulher está presente em vários setores sociais, cuja imagem feminina é reduzida, tão somente, a aparências, e não, ao seu valor intrínseco como indivíduo. A banalização da imagem da mulher em propagandas é um problema arcaico, mas que, tem tomado maior proporção na era contemporânea por meio dos avanços da comunicação e da globalização, tanto que, tem-se popularizado a ideia de que empresas, em busca de maximizar a geração de lucro, são as únicas responsáveis por desencadear tal prática e, a fim de solucionar a questão, deveriam ser punidas.
Considera-se que a objetificação feminina é uma reação em cadeia que vem se nutrindo com a contribuição da própria mulher. No Brasil, por exemplo, o carnaval é um evento público onde mulheres, voluntariamente, desfilam seminuas, algumas de fato nuas, e se cobrem com apenas enfeites e pinturas. Em 2017 a SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres) divulgou que os casos de violência sexual contra mulheres aumentaram 88%, só durante o carnaval. Os dados coletados foram registrados pelo Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) em âmbito nacional, sem incluir os casos em que não houve registros. Com efeito, esse tipo de conduta contribui para a disfunção social contra mulheres.
Outro ponto a ser considerado é que, por muitos anos, as revistas de entretenimento eróticos masculinas, também, foram veículo para a perpetuação da “auto-objetificação” feminina e a sustentação do padrão social machista. Em uma entrevista para o Globo Ela, Juliana Paes afirmou: “Eu nunca tive pudor com o corpo… é uma ferramenta de trabalho”. Ou seja, Mulheres que consentem ser usadas como objetos contribuem com a criminalidade, bem como, a objetificação de outras mulheres.
Diante do exposto, a amplitude da exposição do corpo feminino em propagandas não só deve ser atribuída às empresas, mas também, à nudez física, social e psíquica da mulher. Faz-se necessário combater essa herança social por intermédio de ONGs e palestras nas escolas, para que a mulher seja empoderada pelo reconhecimento do seu valor e, gradativamente, o quadro seja revertido.