O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 13/07/2021

“Educai as crianças e não será preciso punir os homens”. Essa frase, postulada pelo filósofo grego Pitágoras de Samos, é extremamente pertinente no que tange a discussão sobre o valor da educação nas transformações sociais no Brasil. Sob a óptica do autor, fica evidente que a prática educacional é de suma importância para a convivência harmônica do tecido social, pois é por meio dela que muitos entraves podem ser evitados. Hodiernamente, tal valor, tão negligenciado pelos agentes governamentais, pode ser percebido em dois aspectos principais: a expansão da tolerância dos indivíduos ao pluriculturalismo e a mitigação dos preconceitos e anacronismos.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a educação é o meio principal de introdução das pessoas a um ideário de aceitação mútua e convivência congruente com as dicotomias, o que é ingrediente-mor para as transformações sociais. Nessa lógica, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) aponta que é papel da escola e da família a preparação do indivíduo para a boa prática social, debruçando-se sobre o respeito aos hábitos culturais diversos, tornando a sociedade ciente do pluriculturalismo e formando cidadãos cônscios e bem estruturados para conviver com os demais. Com efeito, existe uma diferença considerável entre aquilo que está posto na LDB e o que é realmente proposto nas escolas, e assim sendo, o corpo social se torna falho e rejeita as transformações sociais.

Ademais, é lícito postular que a educação apresenta valor indiscutível para mitigação dos preconceitos e anacronismos. Nesse seguimento, o filósofo francês Michel Foucault conceitua anacronismo como o ato de analisar certo costume ou tradição à luz de um conceito atual de ética e moral. Ampliando a discussão ao contemporâneo, é comum que os indivíduos cometam anacronismos pelo simples fato de não terem tido acesso à educação de qualidade, impossibilitando que enxerguem sem distorções os aspectos que não lhe foram previamente apresentados. Em suma, o preconceito existe a partir do desconhecido, do insólito, do estranho, e essa estranheza só pode deixar de existir quando a educação for valorizada, possibilitando assim as desejadas transformações sociais.

Faz-se mister, portanto, que medidas sejam tomadas com o fito de expor ainda mais o valor da educação nas transformações sociais no Brasil. Cabe ao Governo Federal, por meio dos agentes legislativos, como a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a instituição de medidas de fiscalização para promover o real cumprimento do que é previsto na LDB, com olhar especial para o aspecto de preparação do indivíduo para a prática social, culminando assim em um tecido social pleno e bem-adaptado à convivência permeada pelas diferenças, que são a principal e mais bonita característica de nosso povo.