O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 01/03/2021
O período fordista buscava uma padronização do comportamento dos funcionários, que podiam desempenhar apenas ofícios especializados dentro da linha de produção. É possível dialogar, de maneira análoga, que o modelo produtivo se assemelha à base educacional, haja vista que, assim como o ambiente que visava a máxima produção, os alunos não são condicionados a desenvolverem competências autocríticas sobre os assuntos que os rodeiam. Posto isso, cabe analisar o modelo verticalizado de ensino e os conflitos escolares passíveis para o aprendizado dos jovens.
Em primeira instância, deve-se verificar o modelo verticalizado vigente na maioria das salas de aula. Sob esse espectro, vale ressaltar a “teoria da aprendizagem” do psicólogo Lev Vygotsky, que compreende que a formação dos alunos deve se dar na relação entre o sujeito e a sociedade. Todavia, entende-se que essa verticalização não contribui para o emprego dessa relação, isto é, a maneira com a qual os docentes tendem a priorizar uma transmissão de um conhecimento mais tecnicista, prejudica a inserção do aluno no centro do processo de aprendizagem, além dessa ação não colaborar com o crescimento da percepção e atuação dos discentes frente às transformações do meio social, que exigem suas participações como cidadãos críticos.
Em segunda análise, é plausível destacar a pesquisa desenvolvida pela educadora Telma Vinha, onde é narrado o intenso processo de “terceirização dos conflitos” no âmbito escolar, ou seja, a transferência da responsabilização da escola para as famílias, em vista dos desentendimentos e indisciplina entre os estudantes durante as aulas. Nessa perspectiva, é possível compreender que os conflitos são necessários para o aprendizado de valores e regras sociais, tornando-se necessária uma maior intervenção da escola frente aos momentos onde ocorrem as situações conflituosas entre os alunos, desenvolvendo um olhar elucidativo sobre capacidades de como se inter-relacionar melhor e saber dialogar de maneira respeitosa com outros indivíduos.
Infere-se, então, que medidas são necessárias para que a escola melhor atue no desenvolvimento e construção dos alunos no convívio social. Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias da Educação devem elucidar os professores, por meio de palestras que os ajudem a estruturar aulas que promovam a maior centralização dos estudantes no processo de aprendizagem, - como debates e projetos em grupo - afim de superar os impasses que não permitam esclarecer os jovens sobre a importância de desenvolver boas relações com as outras pessoas e desempenhar um olhar crítico e sistemático sobre os problemas sociais que estão presentes na sociedade brasileira.