O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 06/01/2021
“Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença”. Essa afirmação do ensaísta equatoriano Ivan Moltavo pode ser facilmente aplicada à questão da falta de valorização da educação, uma vez que demonstra a passividade da população diante dessa problemática. Inegavelmente, tal conjuntura tem como origem clara a postura negligente do Estado, que inviabiliza meios para transformar o sistema educacional. Assim, entre os fatores que consolidam esse panorama destacam-se a influência do ensino mercadológico, juntamente com a desigualdade social.
É fundamental perceber, a princípio, que o ensino mercadológico, aliado ao menosprezo estatal, alicerça o atual cenário da falta de reconhecimento da educação. Isso ocorre porque a escola, por possuir o papel de construção social dos discentes deixa de desenvolver os aspectos humanos da sociedade. Como consequência disso, o corpo social sem senso crítico, não compreende o valor de transformação por meio da educação. Essa situação assemelha-se ao pensamento do educador brasileiro Paulo Freire, para o qual “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda", já que demonstra que o ensino sob viés do mercado, aprofundará ainda mais a falta de valorização da educação.
Além disso, a estratificação social, somada à negligência estatal, solidifica o atual quadro da ausência de reconhecimento da educação. Essa situação ocorre pois os indivíduos de classe baixa, inseridos na lógica capitalista deixam os estudos para ajudar na renda familiar. Como resultado disso, a evasão escolar passa a ser uma opção, haja visto que o trabalho é o único meio de sobrevivência. Tal pensamento está em paralelo ao que afirmará o político alemão Konrad Adenauer “Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte”, uma vez que confirma a desigualdade social como impecilho para transformar a educação.
Diante do exposto, é importante compreender que a negligência do Estado é o cerne para a perpetuação da falta de valorização da educação. Dessa forma, a fim de amenizar esse quadro, o governo federal em parceria com seus órgãos e ministérios, deve criar um Programa Nacional de Educação, que propusesse, junto ao Crongresso, a criação de leis que alterassem as Diretrizes Curriculares Nacionais ao relacionar as aulas com as problemáticas socias e políticas, com o intuito de aumentar a criticidade dos alunos. Ademais, é vital que esse programa crie um Fundo de Investimento que financie por meio de um auxilio a renda dos indivíduos de baixa classe, a fim de diminuir a evasão escolar. Espera-se que com essas medidas que a população deixe de ser indiferente para as questões coletivas.