O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 09/11/2020
O poeta Carlos Drummond de Andrade, no poema “No Meio do Caminho”, descreve o momento angustiante do eu lírico ao lidar com uma pedra, a qual impedia sua trajetória. Fora do contexto poético, a valorização da educação também lida com obstáculos, os quais atrasam as transformações sociais advindas do ensino. Tal problemática persiste devido à falta de investimentos no setor de ensino e à desvalorização dos professores, sobretudo os de ensino básico.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a falta de verbas destinadas à área de ensino sucateiam as mudanças sociais. Acerca disso, o sociólogo Louis Althusser, em sua tese marxista, disserta sobre a presença de uma elite que controla os recursos estatais em prol da própria camada. Dessa maneira, os incentivos monetários para as instituições de ensino público são baixíssimos, já que são desviados pela classe dominante, o que gera desvalorização da comunidade pobre. Essa situação é inadmissível, visto que os incentivos fiscais bem distribuídos são fundamentais para o cumprimento constitucional da educação de qualidade para todos.
Em segunda análise, é fundamental pontuar que a desvalorização dos profissionais de ensino básico também contribui para o cenário de estagnação civil. Sobre isso, o sociólogo Emille Durkheim, no conceito “fato social”, afirma que há condutas encorajadas pela própria cultura e, posteriormente, por leis, muitas dessas degradantes para os indivíduos. Dessa forma, percebe-se que a desvalorização dos educadores de ensino primário encontra-se enraizada culturalmente como vocação secundária e de baixa remuneração, fato comprovado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Isso denota-se um problema, posto que esse cargo é de suma importância para mudanças no cenário político e social.
Diante dos fatos supracitados, medidas interventivas são necessárias. Para tanto, é preciso que o governo federal destine verbas, respeitando o teto fiscal, para instituições de ensino público mais carentes, de modo que os mais necessitados adquiram suporte para entrar no caminho educacional, e assim, se estabeleçam como agentes de transformação social. Além disso, é fundamental que os profissionais de educação básica sejam contemplados como figuras determinantes para o avanço do Brasil, para isso, o Congresso Nacional deve aprovar leis que assegurem bons salários a esses profissionais de ensino fundamental, dessa forma se desconstruirá a visão incorreta de fracasso atrelado a eles, o que acarreta motivação para ingresso nessa profissão. Assim, o Brasil estará apto para mover a pedra do caminho da educação e promoverá mudanças revolucionárias para o povo brasileiro.