O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 01/11/2020
A educação é de extrema importância no processo de socialização do indivíduo, promovendo a sua formação e ensinando-o a viver em sociedade. No Brasil, é notável o papel do ensino na vida das pessoas e diferentes práticas pedagógicas têm sido adotadas com vistas a promover autonomia e participação dessas pessoas nas mudanças sociais. Contudo, o País enfrenta desafios devido à desigualdade social e econômica vigente.
Em primeiro plano, é relevante analisar o pensamento do sociólogo francês Émile Durkheim, segundo o qual a educação é o mecanismo secundário de socialização do indivíduo. Assim, essa é responsável por incutir valores, ensinamentos e formas de apreender o mundo nas pessoas, o que é imprescindível para a prática humana na sociedade. Nesse sentido, muitas escolas brasileiras têm adotado modelos pedagógicos que valorizam o saber indissociado do fazer, promovendo uma formação emancipatória dos alunos, que são vistos como agentes responsáveis por transformações no mundo. Esse é o caso da Escola da Serra, localizada em Minas Gerais, onde os alunos são vistos como os responsáveis pelo conhecimento e pela prática, realizando pesquisas, organizando seus próprios horários e estudando de forma autodidata, de maneira que os professores têm um papel coadjuvante.
Entre os desafios da consolidação dessas formas de educação no cenário brasileiro, destaca-se a desigualdade crescente no País. Nessa perspectiva, o sociológo francês do século XX, Pierre Bourdieu, cunha o conceito de capital, que diz respeito aos acúmulos de poder do indivíduo. Dessa maneira, por meio do capital econômico, que é aquele relacionado aos recursos financeiros, o indivíduo adquire capital cultural, que é aquele relacionado à educação. No Brasil, essa realidade é evidente, haja vista que, aqueles com menos condições econômicas têm acesso à educação de menor qualidade e, muitas das vezes, sequer têm acesso à educação. Dessa forma, no País, é necessário possuir capital econômico para possuir capital cultural.
Logo, com vistas a mitigar o problema da desigualdade educacional no País, são necessárias medidas. O poder legislativo deve, juntamente com o Ministério da Educação, criar uma lei que aumente a taxação de impostos, especificamente sobre as grandes empresas sonegadoras fiscais. Essa verba deve ser destinada ao investimento na educação de qualidade, por meio da implementação de modelos pedagógicos alternativos em escolas públicas, juntamente com a contratação de servidores qualificados, infraestrutura de boa qualidade e distribuição de materiais para os alunos. Assim, as pessoas não dependeram de capital econômico para obterem capital cultural.