O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 22/07/2020
É inegável o poder que a educação tem na transformação da sociedade. Como disse o conceituado educador brasileiro Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. No entanto, o que se observa, é que a educação brasileira tem sido relegada pelos diferentes governos que vêm se revezando no poder, fazendo com que nem todos tenham acesso a ela, embora esta seja um direito garantido pela Constituição Federal de 1988. O resultado dessa negligência, é que o país deixa de se desenvolver tanto quanto poderia e a população acaba não usufruindo das riquezas culturais construídas pela humanidade ao longo da história, tampouco usufrui de uma vida mais digna que pode ser obtida quando o nível educacional é maior.
O Japão, após o fim da segunda guerra mundial, estava devastado, porém, conta a “ lenda” que, ao se perguntar sobre por onde começariam a reconstrução do país, o então imperador disse:” vamos reerguer primeiro as escolas”. Esse exemplo mostra a importância que um povo dá à educação e a consciência que tem em relação ao seu poder de transformação. Infelizmente, o mesmo não ocorre no Brasil, pois os investimentos nessa área são sempre ínfimos; os professores não são respeitados e nem gozam de prestígio social . De fato, tornar-se professor no Brasil, não exige uma formação sólida e consistente. Os cursos superiores das licenciaturas são quase sempre os menos concorridos nas universidades públicas e os mais baratos nas faculdades privadas, além de serem os mais curtos e rápidos em termos de duração. Tudo isso compromete os desenvolvimentos humano, social e econômico, uma vez que sem conhecimento técnico- científico e mão-de-obra qualificada, a nação deixa de avançar em áreas da medicina, pesquisa, ciência, engenharia, produção de bens e produtos que poderiam tornar o país ainda mais próspero.
Outro prejuízo para uma população mal escolarizada é a de que esta nunca terá acesso aos bens culturais produzidos pela sociedade. Porque mal preparada, não consegue ler e interpretar um poema de Carlos Drummond de Andrade, por exemplo; tampouco compreender uma letra de música de Chico Buarque de Holanda ou analisar uma obra de Cândido Portinari. Nesse sentido, deixa-se de apropriar-se desse patrimônio cultural o que faz com que se tenha uma sociedade empobrecida culturalmente. Além disso, a falta de educação compromete a própria qualidade de vida, já que os menos escolarizados acabam ficando com os menores salários e, consequentemente, com menos acesso aos direitos básicos como a moradia, saúde, segurança e à própria educação. Esse processo gera um ciclo vicioso que, no Brasil, parece ser muito difícil de ser interrompido.
Nesse contexto, é necessário que os governos tenham coragem de investir na educação assim como o fizeram países que hoje são modelos de desenvolvimento. Ao Ministério da Educação compete fazer valer o que está proposto na Constituição que é ofertar educação de qualidade a todos gratuitamente; propor melhorias nos cursos de graduação para professores, oferecer-lhes formação continuada, corrigir os salários injustos recebidos pela classe, equipar as escolas com ferramentas tecnológicas que possibilitem uma preparação mais adequada aos alunos do século XXI e contribuir na conscientização da sociedade sobre a importância da aquisição do conhecimento formal que é adquirido na escola. Enfim, sem uma poderosa transformação na educação dificilmente ocorrerá a transformação social tão desejada pela população brasileira.