O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 20/07/2020
Durante o século XVIII, o movimento Iluminista defendeu inúmeros processos de transformação social, dentre eles, o acesso universal à educação. Em configurações modernas, é perceptível a importância dessa garantia a todos os indivíduos, sendo ela a responsável pela estabilidade ou completa transformação da esfera social de qualquer cidadão. Entretanto, o governo brasileiro ainda falha na seguridade desse requisito para o desenvolvimento, principalmente pela falta de investimento nesse setor e o consequente manutenir da boa instrução como um privilégio da elite econômica.
Em primeira análise, em seu livro “A República”, o filósofo Platão defende que cabe ao Estado prover a educação completa de seus jovens para que, ao chegarem a fase adulta, cada qual possa exercer sua função na sociedade. Infelizmente, porém, o que se observa no contexto nacional não é o ideal platônico, mas sim um descaso com os meios de ensino gratuito, o qual recebe recursos quase insuficientes, o que prejudica o acesso ao ensino de qualidade, que por conseguinte impede esses estudantes de se graduarem e assim competirem no mercado de trabalho, fato esse demonstrado pelo fato de que, no exame feito pelo Sistema de Avaliação de Educação Básica, mais da metade dos estudantes do ensino médio de escolas públicas não sabiam o básico de matemática e português.
Concomitante a isso, o caótico cenário supracitado é uma repetição histórica, pois a educação como algo escasso e um meio necessário para a ascensão social existe desde a civilização suméria, a qual exigia o conhecimento da leitura e da escrita para desfrutar de uma vida confortável, com esse saber, porém, sendo passado apenas hereditariamente. De maneira análoga, o Brasil perpetua com apenas a elite econômica dispondo de recursos para adentrar ao ensino particular, uma vez que a pública é ineficiente, o que a faz dominar a esfera política e a social, e, dessa forma, mantém o processo de inadequamento do ensino gratuito da maneira como está.
É necessário, dessarte, a reversão desse estágio crítico. Nessa lógica, cabe ao Governo não só alocar mais dinheiro para a educação, mas enviar analistas que estudem cada instituição individualmente e enviem um relatório que indique onde cada escola é deficiente e qual seria o melhor curso de ação para o investimento, para que nenhum colégio receba mais ou menos do que realmente necessita e, assim, os ideais iluminista e platônico se aproximem cada vez mais da realidade.