O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 19/07/2020

O ato de educar no Brasil nasceu com a implementação de um projeto catequizante feito por jesuítas em aldeias indígenas. Essa ação dos padres visava alienar os índios de sua própria cultura, para que fossem facilmente submissos a uma autoridade. No entanto, muitos séculos depois, surge uma personalidade que apresenta um outro lado da educação totalmente oposto ao do período da criação da Companhia de Jesus. Esse individuo foi o pedagogo Paulo Freire, trazendo um tipo de educação libertadora. A partir disso, é indiscutível o valor do ensino nas transformações sociais no Brasil, visto que a própria ação de ensinar sofreu muitas mudanças e está  relacionada com liberdade e aprisionamento, carros-chefes para uma mobilização social transgressora.

Essa educação que pode ser libertadora é explicada pelo professor em seu livro “Pedagogia da Autonomia”, em que ele disserta sobre a sua importância no combate ao aprendizado “bancário”, ou seja, um ensinamento que objetiva acumular muitas informações que não instigam a reflexão nos discentes e suga a energia dos docentes - classe extremamente explorada e desvalorizada - a fim de que se tornem desestimulados e não lutem por uma sociedade melhor. Em resumo, é notório quão crucial é o ensino para que existam pessoas incomodadas com a desigualdades e com as injustiças sociais.

Ademais, para que seja possível um entendimento mais aprofundado sobre como o ato de educar dos jesuítas pôde causar a alienação dos indígenas, é possível compararmos esse processo com um assunto abordado por Michel Foucault em seu livro “Vigiar e punir”. Em sua obra, o filósofo faz um estudo sobre como a dominação e a obediência estão intrinsecamente ligadas com a “docilização” dos corpos, termo expressado por ele que se refere a uma forma de domesticar as mentes dos seres humanos, algo bem semelhante ao que era feito nas aldeias. Assim, a educação foi usada secularmente, em beneficio da manutenção de uma hierarquia social opressora.

Portanto, para que haja reconhecimento do valor da educação nas transformações sociais, é necessário que o MEC atue com projetos que tragam um aprendizado libertador para as escolas. Isso pode ser feito por meio da criação de uma disciplina que aborde sobre as problemáticas sociais e as suas consequências, de modo que contribua para o surgimento de debates sociais entre os alunos dentro das instituições educacionais. Assim, os estudantes poderão enxergar o estudo como uma porta aberta para seu desenvolvimento pessoal e social.