O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 16/07/2020
Em 2018, foi eleito para presidente Jair Bolsonaro, que tinha como mote de campanha “lutar contra tudo isso que está aí”. Um dos pilares da plataforma do congressista era a luta contra a educação “gaysista” dos governos anteriores. Além disso, em diversas oportunidades, o político deixou explícito seu desdém pelos bolsistas do CAPES, que sofreram cortes massivos no orçamento em 2019. Esses atos revelam o pouco valor dado à educação no país. Dessa forma, são levantados dois obstáculos às transformações sociais oriundas da educação: a crença de que professores e escolas são doutrinadores e o desprezo pelas ciências humanas.
De início, vale ressaltar que Bolsonaro fez, em sua campanha, uso massivo das redes sociais para manipular a opinião pública através de notícias falsas, conforme revela a CPI das Fake News. Nos boatos disseminados na web, eram relatadas orgias satânicas regadas a álcool nas universidades públicas. Apesar do absurdo, muitos acreditaram. Para a socióloga Esther Solano, essa crença no fantástico é produto do uso político do ódio, que é manipulado pela boataria.
Ademais, em 2020, o Governo Federal excluiu as ciências humanas do edital de bolsas para pós-graduação. Dessarte, fica evidenciado o desvalor atribuído ao pensamento crítico e ao poder transformador das ideias. Para o pedagogo Paulo Freire, a principal função da escola e do educador é dotar o aluno de ferramentas com as quais possa emancipar a si e aos outros. Sem os saberes das humanidades, o poder libertador da educação fica limitado.
Portanto, para que a educação seja libertadora é necessário o fomento ao pensamento crítico. Para tanto, o movimento estudantil deve pressionar ativamente o atual governo para que seja majorado o orçamento destinado ao ensino e pesquisa das ciências humanas. Isso pode ser feito por meio das redes sociais. Por exemplo, organizando campanhas no Twitter para a valorização do conhecimento. Dessarte, o valor transformacional da educação, certamente, será melhor aproveitado pelo país.