O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 20/07/2020
No filme “Escritores da Liberdade” a professora Erin Gruwell tem o desafio de lecionar para jovens marginalizados e violentos em uma sociedade que possui valores racistas e intolerantes recentes. Dessa forma, apodera-se da educação e, a partir de incentivos literários e artísticos, consegue mudar a vida dessas crianças, conferido voz à elas e transmitindo os valores de tolerância e respeito. Fora da ficção, sabe-se que a educação é o alicerce para a construção da moral do ser humano, sendo principal meio para as mudanças necessárias frente a construção de um Brasil digno. Contudo, observa-se sua desvalorização, incitada pelo descaso governamental.
A princípio é importante destacar que a educação é a forma crucial de criar indivíduos atuantes em sua sociedade. Segundo a filosofia de Paulo Freire, as aulas devem se basear em um debate entre o professor e o aluno, para incentivá-lo a ser uma pessoa ativa. Ou seja, a partir da pedagogia, o estudante desenvolveria seu senso crítico e pensaria fora da sua “bolha social”, com uma visão para além da sua ótica perante ao mundo. Além de moldar seu caráter para a construção de uma convivência harmônica. Fato comprovado através de uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, a qual indica que a cada 1% investido na educação, o indicie de criminalidade diminui em 0,01%. Com isso, a educação se mostra como “motor” para as transformações sociais imprescindíveis.
Em paralelo, apesar da eficácia da didática, muitos jovens não têm acesso à um processo educativo conveniente. Conforme o site Universia, o Brasil ocupa a 65ª posição no ranking mundial de educação. Isto é, os estudantes carecem de estrutura apropriada nas escolas e, muitas vezes, até faltam professores. Ademais, a base curricular é reflexo de um ensino mecanizado, aonde se valoriza mais a “decoração de fórmulas” ao desenvolvimento de um indivíduo que exerça sua cidadania. Desta maneira, analisa-se a falta de prioridade em relação ao ensino nos planos políticos, a qual possuí como consequência o atraso na metamorfose comunitária necessária.
Portanto, para que a educação não seja deixada para segundo plano e a sociedade possa progredir, é necessário que o Governo Federal, na figura do Ministério da Educação (MEC), realize uma reforma no grade acadêmica, incluindo projetos sociais e experimentos sociológicos como obrigatórios, afim de incentivar os alunos a participar da comunidade. Outrossim, o investimento às escolas públicas devem partir de valores fixos, não sendo permitindo cortes ou reduções, fiscalizados a partir da criação de uma equipe -eleita pelas prefeituras dos estados- que garanta a contratação de professores e as reformas estruturais fundamentais. Destarte, os jovens brasileiros também serão autores da liberdade e responsáveis por grandes modificações coletivas.