O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 15/07/2020
Considerada como a Revolução de Angicos, a aplicação prática do projeto pedagógico do educador brasileiro, Paulo Freire, em 1963, conseguiu alfabetizar 300 adultos em 40 dias no interior do Rio Grande do Norte. O resultado desse trabalho gerou a esperança de uma transformação social no Brasil, em razão do método que ensinava o aluno refletir como sujeito ativo na sociedade. Entretanto, meio século depois, as transformações sociais não aconteceram como se espera. Em parte, deve-se ao ensino escolar que se mantém como instrumento de segregação social ao educar desigualmente pobres e ricos. Diante disso, cabe análise das causas, consequências e possível solução.
Em primeiro lugar, é importante evidenciar o descaso com a educação no país. Nesse contexto, o Estado tem optado por atingir apenas estatísticas de escolarização sem, contudo, preocupar-se com a aprendizagem ou com a promoção de uma visão transformadora da sociedade. Para o pedagogo Paulo Freire: “A educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas muda o mundo”. Nessa perspectiva, a educação pública brasileira não cumpre o papel de preparar os alunos para serem agentes ativos e sujeitos de transformação social. Portanto, é um absurdo o governo brasileiro continuar nessa inércia ao patrocinar um ensino público desconectado da formação para a cidadania plena.
Em segundo lugar, ressalta-se como efeito, a crescente desigualdade social oriunda da ineficácia do modelo educacional aplicado aos mais pobres. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE–, “Apenas 2,1% dos estudantes de baixa renda têm um nível educacional que os prepara para papeis ativos em suas comunidades”. Desse modo, percebe-se que a escola além de não os habilitar a pensar criticamente para transformar a realidade em que vivem, mantém a sociedade estamental fixa, isto é, inibe a migração social desses indivíduos para outros níveis socioeconômicos.
Depreende-se, à vista disso, que a educação no Brasil não contribui para transformação social. Logo, faz-se necessário que o Ministério da Educação implemente esse valor no ensino das crianças e adolescentes. Para isso, precisa preparar professores por meio de cursos presenciais e à distância no método de aulas interativas e reflexivas. Esses cursos devem proporcionar a melhora na remuneração e no nível profissional do docente. Assim sendo, eles terão que se comprometer a ensinar com preconizado pela metodologia, ou seja, que levem os alunos a refletirem onde estão e ondem podem chegar. Espera-se com isso, contribuir com a transformação da sociedade para torná-la mais justa e igualitária.