O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 11/07/2020
Na obra “A República”, do filósofo Platão, a educação é tratada, não somente como um elemento fundamental da formação técnica dos sujeitos, mas também como alicerce da sociedade. Apesar disso, atualmente a educação ainda sofre com a falta do reconhecimento material de seu valor nas transformações sociais brasileiras. Com isso, pode-se destacar tanto a falta de acesso quanto a dificuldade de integrar pessoas de forma eficiente na educação formal.
Em princípio, a desigualdade social impede que muitos brasileiros tenham acesso à escolas. Nesse sentido, o geografo Milton Santos chama de “Muros Invisíveis” as barreiras sociais que causam segregação entre grupos que deveriam ser mais unidos. Tal princípio pode ser notado, de forma grave, na pandemia de 2020, em que brasileiros pobres que frequentavam escolas públicas tiveram suas aulas suspensas, enquanto alunos de classes sociais mais elevadas continuaram sua educação por meio da internet. Assim, a democratização da educação esbarra na falta de investimento e infraestrutura da educação pública.
Por outro lado, mesmo quando frequentam escolas, alunos pobres podem não ter educação de alta qualidade. Conforme o método educacional de Paulo Freire, a educação não possui apenas valor técnico, mas de formação social e ética. De forma a corroborar com isso, o papel da sociedade no que tange o reconhecimento do papel educacional na formação humana é imprescindível. Dessa forma, a mídia deve prezar pelo amadurecimento conceitual dos papéis da educação na mentalidade popular.
Tendo em vista os fatos retratados, é imprescindível que o MEC, em parceria com as duas casas representantes do Poder Legislativo, garanta a ampliação do FUNDEB, fundo público que atende à educação básica, por meio de um projeto de lei que objetive a diminuição das desigualdades educacionais entre classes sociais e regiões do país. Dessa maneira, a perspectiva de Platão sobre o valor da educação será contemporânea.