O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 11/07/2020
Na constituição de 1988 - a Constituição Cidadã - em seu artigo 205, é defendido que a educação deve ser um direito de todos, cabendo ao Estado, família e sociedade proporcionarem o pleno desenvolvimento ao indivíduo. Assim, a formação educacional não se restringe somente ao ambiente escolar, mas à todo um processo de socialização que garanta além do exercício da cidadania, sua identidade. Entretanto, as formas de acesso e as oportunidades no Brasil, refletem a realidade brasileira - uma sociedade desigual.
Nessa perspectiva, Paulo Freire, pedagogo brasileiro, em sua obra “Pedagogia do oprimido”, concebe a educação como uma das maneiras, senão a mais importante, de transformar a realidade, tornando o indivíduo como autor de seu conhecimento. Nesse sentido, a educação horizontal, ou seja, aquela cujo aprendizado desenvolve-se numa relação “aluno-professor” mais próxima, proporciona ao estudante a valorização de sua bagagem cultural, concomitante a fixação de novos aprendizados, não diferente acontece para o professor. Esta independência alimenta a busca por novos conhecimentos, além de permitir a visão da realidade sob diferentes perspectivas, condicionando a construção do pensamento livre, crítico e individual.
Muito diferente dessa educação transformadora, encontra-se a realidade brasileira. Evidenciado pelo documentário “Pro dia nascer feliz” de João Jardim, as realidades educacionais são contrastantes, tanto em infraestruturas como na visão do corpo discente e docente. Nas escolas particulares de São Paulo, dentro do ambiente educacional, há o respeito mútuo do aluno e professor, além de um atendimento especializado para cada aluno que esteja passando por problemas. Diferentemente, nas periferias, a ausência de professores - muitas vezes justificadas pelo cansaço que o trabalho ocasiona - a falta de atenção que a escola proporciona aos estudantes e o desrespeito, são comuns no dia a dia destas escolas. Isto reflete justamente na perspectiva de mundo do aluno, que não acredita ser capaz daquilo que sonha, frente a sua desvalorização nesse processo sociológico, limitando as poucas oportunidades que lhes restam.
Urge portanto, a necessidade que o Ministério da Cultura, juntamente de ONGs, por meio de eventos culturais - como oficinas de teatro, música e dança, após o horário letivo - promovam a releitura de textos críticos e reflexivos, com o objetivo de aliviar a tensão da realidade que vivem, potencializarem seu desenvolvimento crítico e descobrirem outros tipos de inteligência. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, fornecer cursos sobre a educação horizontal para professores da rede pública e privada, para que a sala de aula torne-se um lugar de aprendizado mútuo.