O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 18/09/2021

O geógrafo brasileiro Milton Santos declara em sua obra “Por uma outra globalização”, que o processo de globalização revolucionou os meios de transporte em escala global, inclusive, é claro, no Brasil. No entanto, a transição de veículos mais arcaicos, como a carroça movida a tração animal, para veículos modernos, como o automóvel, não foi concluída em algumas cidades brasileiras, enfaticamente no interior, e até mesmo nas periferias das grandes cidades. As causas que dificultam a mudança tem relação com o baixo poder aquisitivo de algumas pessoas, que as impede de passar a lidar com o carro ou com a moto em seus cotidianos laborais.

Em primeiro lugar, é preciso levantar que a maior parcela da sociedade não possui um carro próprio, sendo preciso adquirir um outro tipo de locomoção, como o uso de equinos na carruagem, devido à alta demanda de velocidade que o mundo hodierno nos solicita nas tarefas do trabalho. Tal fato é comprovado pela pesquisas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, as quais revelam que 53% da população não tem um automóvel, se provendo, então, de outros meios. A razão disso é a dificuldade econômica dessas pessoas, levando uma parte dessas a se mover pelas cidades usando transportes com equinos, por meio de cavalos ou de burros, movidos pela tração. Portanto, nota-se que o poder de compra dos cidadãos os leva a optar pelo uso de animais no trânsito.

Em segundo lugar, vale ressaltar os efeitos maléficos que esse meio de locomoção traz, tanto para o dono do animal quanto para as pessoas que o cercam. A exemplo, têm-se as doenças possíveis de serem transmitidas diretamente pelo animal, como o mormo, zoonose bacteriana, além de outras passadas adiante pelos carrapatos residentes na superfície do cavalo, os quais pregam na pele humana e transmitem agentes infecciosos. Ademais, alterações hormonais e psíquicas nos bichos podem acarretar ataques à humanos, de forma imprevisível, além de ocasionar, inclusive, acidentes de trânsito. A título de ilustração, é lícito citar o acidente na SC-415, na qual uma carroça tracionada por um cavalo colidiu com um carro, ocasionando tanto a morte do equídeo quanto a do carroceiro. Logo, é evidente que os veículos movidos a tração animal precisam ser substituídos, a fim de se evitar mais óbitos.

Infere-se, portanto, que utilizando-se de mecanismo estatais, é possível atenuar a presença dos animais no trânsito de veículos. Com o propósito de se alcançar tal objetivo, cabe ao Ministério da Saúde - órgão responsável por dispor para a população as condições necessárias para a promoção de sua saúde -, por meio da contratação de médicos veterinários, cuidar dos animais de grande porte usados nos trânsitos, eliminando doenças. Também cabe ao Estado oferecer transporte público gratuito aos usuários desses meios de locomoção, a fim de substituir a utilização dos equinos nas ruas.