O uso de veículos de tração animal no Brasil

Enviada em 08/08/2021

O livro “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, aborda o retrato de uma sociedade acometida pela exploração de “bichos”, já que a obra apresenta diversos animais que, em uma fazenda, são utilizados como meio de transporte e renda. Similarmente ao conteúdo, a adversidade ligada ao uso de veículos de tração animal se tornou recorrente na sociedade brasileira, visto que há pouca preocupação com esse problema. A partir disso, a problemática encontra raízes no silenciamento e na lacuna educacional da sociedade.

Em primeiro plano, vale destacar que a desinformação e a ignorância em relação ao uso de veículos de tração animal no Brasil se devem, indubitavelmente, à falta de debates sobre o tema, já que a problemática é desconsiderada pela hegemonia do corpo social, que, casualmente, subestima a relevância da exploração de animais nos meios de transporte brasileiros. Concomitantemente, segundo a teoria da “Modernidade Líquida”, do filósofo Bauman, conforme a sociedade progride, maiores desafios socioeconômicos passam a existir na coletividade humana, o que faz com que os indivíduos, consequentemente, priorizem o debate de novos problemas sociais a solucionarem antigos estigmas, como os veículos de tração animal, de modo que, historicamente, esse tipo de mobilidade era aceitável pela população. Dessarte, as adversidades modernas são tangenciais à deficiência na troca de ideias.

Além disso, é evidente que a problemática é resultante de uma lacuna na esfera educacional brasileira, de maneira que, segundo Kant, o indivíduo é o resultado da educação adquirida por ele. Por conseguinte, a abstinência de conteúdos relacionados às contrariedades do uso de demais animais para o benefício humano torna o sistema de educação negligente, despreparado e precursor dos veículos de tração animal, de forma que a conjuntura é inviabilizada e o restante da população não é levada a questionar essa problemática. Assim, como escolas deixam de incorporar conhecimento à série escolar, elas possibilitam o uso de animais.

Prtanto, medidas devem ser retiradas para a resolução da situação, como a criação, por parte do Ministério da Educação (MEC), de um plano em escala nacional para propagar, por meio de incentivos fiscais, debates sobre o tema nos ambientes sociais. Ademais, o plano deve adicionar disciplinas sobre as contrariedades da exploração de animais à nota escolar, de modo que toda a população tenha acesso a informações sobre a temática. Logo, o MEC, o plano nacional e as escolas montarão um tripé social terminante do problema, para que o uso de veículos de tração animal seja observado, apenas, em “A Revolução dos Bichos”.