O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 09/10/2021

Em meados de 2013, um grupo de ativistas invadiu um laboratório, em São Paulo, para resgatar diversos cães da raça Beagle após denúncias de maus tratos. Tal ato levantou uma série de discussões acerca do tema sobre a utilização de espécies animais para análises científicas, opondo os prós e contras. Embora essencial atualmente, consiste num método cruel, para os “bichinhos”, e retrógrado, que gera uma acomodação na comunidade científica, ignorando as tendências atuais de mundo. Nesse sentido, o uso de animais em pesquisas científicas no Brasil é, relativamente, negativo, haja vista o grande número de animais que sofrem com esse processo e a falta de interesse dos cientistas em encontrar novos métodos.

Nessa conjuntura, é importante destacar o imenso quantitativo de animais de diferentes espécies que são afetados por esse método. Dados da Coligação Europeia para o Fim das Experiências em Animais revelam que cerca de 115 milhões são utilizados todos os anos no mundo inteiro. Só na Europa, desse total, 3 milhões morrem anualmente. Esses dados mostram que a vida dos bichos tem perdido cada vez mais valor para o meio científico, sendo expostos ao sofrimento todos os dias apenas, muitas vezes, pela vaidade fria e cega dos seres humanos.

Ademais, é cabível ressaltar o desinteresse da comunidade científica em descobrir novas formas de testar os produtos desejados. Segundo Vanice Teixeira, presidente da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais), é preciso “dar um passo a trás para poder dar dois a frente”: “Garanto que, se houver uma proibição [do uso de animais em testes], em dois ou três anos encontraremos um método tão eficaz quanto esse.".  Isso revela o atraso dos cientistas brasileiros na busca por novos modos de teste, mantendo um modelo que promove o sofrimento das diversas espécies de animais e impedindo o descobrimento de várias outras formas de investigar os efeitos dos produtos, tanto médicos, quanto cosméticos. Isso necessita ser combatido pelas autoridades.

Portanto, tendo em vista a problemática atual, é essencial que o governo, em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, desenvolva medidas que promovam o avanço da ciência, enquanto garante os direito dos animais, como a fiscalização “in loco” de laboratórios que fazem uso de animais em seus testes, para garantir que eles não sejam vítimas de crueldade e sejam, apenas, para auxiliadores da ciência. Também é válida a disponibilização de recursos para os centros de pesquisa, com foco em encontrar novas alternativas à utilização de animais, que possam ter o mesmo nível de eficiência dessa, mas respeitando o espaço do “bichinho” no meio. Só assim será possível que a ciência do país avançe sem ferir os direitos de nenhuma espécie viva.