O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 19/06/2021

A curta metragem  “Salve o Ralph”, lançada em 2021, denuncia os abusos sofridos por animais que são usados para testes ao retratar um coelho que narra o seu dia como uma cobaia, o qual conta sua situacação como se fosse um emprego normal. No Brasil, o uso de animais em pesquisas e testes científicos se mostra como uma prática comum, assim como para Ralph, em decorrência de fatores históricos e econômicos, e pede que medidas que garantam seu desuso sejam tomadas.

É importante observar, de início, que a histórica percepção deturpada sobre o que a fauna representa para as pessoas contribui para a existência do problema. Com efeito, é preciso entender como ao longo das sociedades mundiais os animais sempre foram vistos como objetos que devem servir os seres humanos, sobre isso, dois exemplos a serem citados seriam burros que eram usados ​​para o transporte de coisas pesadas e cavalos como instrumento de guerra. Com isso, nos dias atuais, essa exploração ocorre quando unidades científicas além de retirar os bichos de seus habitats naturais os torturam com injeções de soluções, ingestão de medicamentos e várias outras coisas, para que possam entender como funcionariam em um organismo humano. Essas práticas são preocupantes pois podem comprometer a reprodução das espécies, o que geraria sua extinção, e, consequentemente, um desequilíbrio da natureza.

Vale destacar, também, a maneira que a instituição de práticas neoliberais contribui para a intensificação da questão. Diante disso, é necessário compreender que governos que dialogam com tais pensamentos são marcados por muitas privatizações de empresas a fim de conferir a elas mais liberdade econômica e de serviço. Nesse viés liberal, ao desestatizar negócios o Estado está dando a essas instituições mais autonomia para que façam o que quizerem, inclusive testes em animais, e ainda está renunciando seu papel como fiscal das ações de empresas, que contarão com o argumento de não serem subordinadas ao sistema. O desdobramento percebido é que essa liberdade dada às corporações, somada à visão de servidão atribuída aos animas provoca o crescimento de tais testes, os quais podem vir a intensificar os impactos causados por essas intervenções.

Com isso, é necessário que o governo federal por meio do poder legislativo crie leis que proíbam o uso de animais em ambientes científicos e instituições privadas. Além disso, também é preciso que a polícia federal promova constante inspeção desses orgãos para que garantam o seguimento das normas da Constituição e inviabilizem o sofrimento de muitos seres vivos. Dessa maneira, se o país adotar esses mecanismos de controle, será observado o desenvolvimento de uma ciência e empresas mais ecológicas, deixando de perpetuar o que a curta de Ralph apresenta.