O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 19/06/2021
O curta metragem “Save Ralph”, aborda, entre outras questões, torturas às quais bichos são submetidos na indústria de cosméticos e farmacêuticos. Embora se trate de uma ficção, essa produção cinematográfica é capaz de reproduzir a forte presença do uso impróprio de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil, o que decorre, sobretudo, tanto de fatores sociais quanto econômicos. Por isso, medidas que busquem reverter esse cenário são necessárias.
A princípio, vale destacar como a lógica do sistema capitalista contribui para o uso dos bichos em testes científicos de maneira inadequada. Tendo em vista esse problema, é pertinente abordar a ideia do filósofo coreano Byung Chul-Han, segundo a qual a sociedade classifica as instituições com base na sua capacidade em gerar lucro para o regime economicista em que vivemos. Nesse sentido, buscando um método de alta produtividade, as empresas fazem muitas experiências em um curto período, e consequentemente não cumprem com os devidos protocolos de segurança. Por isso, essa realidade é preocupante uma vez que na busca pelo lucro fácil e pela produção em massa, seus produtos são testados em animais de maneira indiscriminada causando a morte de muitos seres vivos.
Ademais, a falta de fiscalização em lugares que fazem esse tipo de experimento também é um fator agravante do problema. Um caso que ilustra esse problema é o do Instituto Royal, quando em 2013 ele foi invadido por ativistas após denúncias de que a empresa estaria maltratando animais durante os testes de seus produtos. Dessa maneira, após a instituição alegar que estaria seguindo todas as exigências da Anvisa, foi levantado o debate a respeito da utilização desses seres vivos para tais pesquisas. Assim, na medida em que o Governo não fiscaliza de maneira efetiva e periódica esses locais, as companhias realizam investigações científicas de maneira incorreta e sem obedecer aos protocolos de segurança, causando danos à fauna brasileira.
Fica evidente, pois, a necessidade de superar os fatores fomentadores desse entrave social. Para isso, a Escola deve agir. A ela, por seu papel na criação do caráter do indivíduo, cabe promover palestras e debates que discorram de maneira dinâmica sobre os perigos do uso de animais em pesquisas e testes científicos, por meio da contratação de biólogos e veterinários, com o objetivo de fomentar o crescimento de crianças conscientes da importância de se preservar a vida desses seres. Logo, será possível trilhar um caminho para a diminuição da utilização dos bichos como cobaia de maneira indevida alegando ser em prol da ciência.