O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 19/06/2021

No livro Jogos Vorazes, de Suzanne Collins, ao serem deixados em uma ilha, humanos são submetidos à seleção do mais forte, mostrando o mais profundo instinto humano: sobreviver. Mesmo com inúmeros objetivos além desse, o desejo de garantir a própria vida segue a humanidade desde antes de se tornarem seres pensantes. Apesar de não precisar caçar seu próprio alimento ou viver em cavernas, o cidadão médio depende dos fármacos para sua sobrevivência, seja na cura de infermidades ou no enfraquecimento de seus sintomas, e, em âmbito nacional, é frequente o debate sobre a ética no desenvolvimento destes fármacos e de cosméticos, já que sua síntese depende da testagem. Executados em larga escala na industria farmacêutica, tais testes e pesquisas são necessários para garantir a sobrevivência da espécie, porém devem ser evitados a todo custo.

De modo geral, há a concepção de que os laboratórios que testam em animais devem ser punidos por seus atos e a testagem deve ser proibida em todos os casos, como visto pelo comportamento de inúmeras pessoas ao invadirem o laboratório do Instituto Royal, no ano de 2013 em São Paulo, com a justificativa de salvar os cães testados no local. Embora não seja a escolha utópica e ideal, este método de testagem ainda é o mais seguro, já que as reações complexas de um corpo a um composto químico não podem ser previstas em laboratório, e como num jogo voraz, a humanidade utiliza da fragilidade dos animais para sua sobrevivência.

Por outro lado, há a testagem de animais na síntese de produtos que não são essenciais para a sobrevivência humana, por exemplo os cosméticos, em que busca-se evitar infortúnios ao organismo, como queimaduras, alergias e manchas. Tais objetivos são vistos como fúteis atualmente, e o comportamento dos laboratórios é condenado por uma crescente parcela da população, como foi confirmado pela viralização do curta metragem “Salve O Ralph”, da Humane Society, no qual o coelho Ralph conta e mostra um pouco de sua rotina de testes e seus sintomas, como cegueira, costas queimadas e perda de audição. Apesar de fictício, o curta mostra a realidade dos animais submetidos a tais testes, e ao contrário dos medicamentos, as maquiagens e produtos de beleza não são essenciais para o bem da espécie nem salvam vidas, portanto não valem o sacrifício dos bichos.

Em busca de diminuir os maus tratos desnecessários aos animais, cabe ao governo criar leis de proibição de testes, que seriam aplicadas às grandes fabricantes de cosméticos, como a O Boticário e Avon, e obrigando, em contraposto, o teste em animais por parte das empresas farmacêuticas, como ocorre na frança, de modo em que os números de animais testados diminua, tais como os riscos de consequências negativas advindas do uso de remédios, trazendo segurança a humanos e animais.