O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 19/06/2021
Em um de seus livros, Machado de Assis afirma que através do diálogo e da divulgação de ideias é possível fazer um livro, um governo ou uma revolução. De volta à realidade, a ideologia do escritor se mostra verídica quando se percebe que o debate sobre o uso de animais em testes científicos no Brasil é imprescindível para amenizar os diversos impactos negativos causados pelos mesmos. Nesse sentido, o fato de que algumas empresas realizam tais pesquisas desnecessariamente e os maus tratos sofridos pelos animais se enquadram como principais causas e consequências para tal problema.
Em primeiro plano, faz-se importante salientar que é impossível negligenciar os ganhos que tais experimentos trouxeram à sociedade, uma vez que tornaram possível o desenvolvimento de vacinas e medicamentos essenciais para o ser humano. Contudo, a ciência e a tecnologia avançaram de forma significativa nos últimos anos, desenvolvendo novas simulações “in vitro” que utilizam de células e tecidos humanos com a finalidade de oferecer um método alternativo aos testes em animais. Entretanto, ainda há corporações que não possuem a necessidade de realizar tais experimentos e se negam – a fim de não aumentar seus custos – em adotar a nova tecnologia. Desse modo, pode-se fazer um paralelo com o escritor Aluin Toffler, – o qual afirma que o analfabeto do século 21 é aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender – visto que as companhias devem vencer seu “analfabetismo” e abandonarem essas práticas egoístas e arcaicas.
Ademais, segundo a zootécnica da USP, Silvana Gomiak, há situações em que esses experimentos não podem ser substituídos. Todavia, mesmo que haja extrema necessidade da realização dos testes nos seres vivos, os laboratórios deveriam ter o máximo de prudência para não maltratá-los, o que obviamente não ocorre. À exemplo disso, é possível citar o curta-metragem “Salve o Ralph”, disponível no YouTube, o qual narra a história de um coelho que, ao passar por diversos procedimentos químicos, fica surdo, cego e adquiri diversas queimaduras dolorosas ao longo do corpo, evidenciando a crueldade da indústria farmacêutica frente aos animais.
Portanto, é mister que o Estado, na condição de garantidor dos direitos individuais, em parceria com o Poder Legislativo, elabore leis que proíbam que experimentos nocivos aos animais sejam realizados sem que haja extrema urgência para tal e implemente severas punições a empresas que agridam tais seres no processo. Somente assim, será possível diminuir os impactos negativos causados pelo uso de animais em pesquisas científicas.