O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 19/06/2021

Durante a Segunda Guerra Mundial, estudos eram feitos utilizando como cobaias prisioneiros de guerra, fato responsável pelo genocídio de milhares de judeus que foram submetidos aos experimentos científicos da época. Após a restrição do uso de seres humanos para fins de pesquisas, os animais passaram a ser o alvo de tais experimentos, sendo, até os dias atuais, vítimas de torturas e crueldades relacionadas ao desenvolvimento de produtos e medicamentos. Sendo assim, o uso de animais em pesquisas e testes no Brasil implica tanto no sofrimento quanto na carência de medidas que protejam esses seres e, por esses motivos, o problema deve ser analisado, discutido e combatido.

Em primeiro lugar, é relevante abordar o sofrimento causado nos bichos que são usados como cobaias. Em abril de 2021, o curta “Salve o Ralph”, produzido por Jeff Vespa, foi destaque nas redes sociais. O vídeo, narrado por um coelho, cita ferimentos gerados por testes científicos, como cegueira e queimaduras, que podem levar os animais à morte. Apesar de ser uma obra fictícia, o curta retrata a realidade enfrentada pelas cobaias, que são submetidas a situações extremamente perigosas e prejudiciais ao organismo do animal.

Ademais, é indispensável ressaltar a falta de proteção dos animais. Apesar de os avanços acadêmicos e científicos serem essenciais, os maus-tratos ligados a esses estudos e testes evidenciam a necessidade de uma legislação que busque defender os bichos utilizados como cobaias. Um exemplo disso é o “Caso Beagle”, em que, através de uma denúncia, foram descobertos inúmeros cães que estavam sendo sacrificados com o objetivo de experimentação e que, tal ato, segundo a empresa, estava dentro das normas impostas pelos órgãos competentes.

Portanto, é necessário que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), juntamente com o Conselho Nacional do Controle de Experimentação Animal (CONCEA), façam com que os selos de indicação de que o produto não foi testado em animais seja obrigatório, por meio de fiscalizações consistentes. Além disso, é importante incorporar os já existentes testes “in vitro” feitos em tecidos humanos nos experimentos científicos, a fim de que, em um futuro próximo, a condição para o desenvolvimento de produtos e medicamentos não seja o sofrimento dos animais.