O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 20/06/2021

O filme “Planeta dos Macacos”, lançado em 2017, aborda, entre outras questões, a saga do pesquisador Will que trabalha em um laboratório realizando testes científicos em macacos para tentar encontrar a cura do Alzheimer. Embora seja cinematográfica, no Brasil a realidade é quase a mesma, uma vez que o mau uso de animais como cobaia em pesquisas é recorrente. Por isso, faz-se necessário compreender os fatores políticos e econômicos que agravam o problema, a fim de revertê-los.

De início, vale ressaltar como a falta de fiscalização em laboratórios pelos órgãos responsáveis é um fator determinante para o problema. Nesse sentido, é válido analisar o ocorrido em 2013 no Instituto Royal, em SP, o local foi invadido por ativistas após denúncia de que cachorros estavam sendo maltratados em testes científicos. Assim, essa situação retrata como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação não está sendo eficaz em seu trabalho de fiscalizar o uso de animais para fins científicos no Brasil. Desse modo, os bichos sofrem, já que vivem em condições precárias de abrigo e higiene, além de serem usados de forma abusiva pelos humanos em seus experimentos.

Ademais, cabe destacar a constante busca pelo lucro como agravante do problema. A esse respeito, é oportuno o debate do filósofo coreano Byung-Chul Han sobre a lógica do sistema capitalista, a qual ele aponta que o indivíduo é classificado de acordo com a capacidade deste em fornecer lucro à sociedade. Sob tal ótica, ao analisarmos o que ocorre na realidade brasileira, é possível perceber a constante disputa pelo dinheiro, ou seja, muitas empresas, inclusive os laboratórios de pesquisas, não obedecem aos protocolos estabelecidos pela lei. Esse cenário torna-se preocupante na medida em que, para ter mais lucro, os cientistas submetem os animais a condições insalubres e os usam como cobaias sem respeitar os limites de cada espécie, o que pode causar mortes desnecessárias.

Portanto, é necessária a implementação de medidas que revertam esse cenário. Para isso, o Governo deve agir, por seu papel fundamental de garantir direitos a todos. A ele cabe promover debates no Senado junto com o Ministro da Ciência e o representante do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal, para que estes, em conjunto, discutam sobre leis mais rigorosas e deem início a um estudo que vise encontrar novas formas de realizar testes científicos, preservando a saúde dos animais. Com isso, será possível garantir um uso seguro e eficaz dos bichos em pesquisas científicas em prol da humanidade.