O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 22/12/2020

Há alguns anos, um grupo de ativistas invadiu um laboratório em São Roque a fim de resgatar cães que estavam sendo usados na testagem de produtos, num episódio que ganhou fama e alavancou o debate sobre o uso de animais em pesquisas. Tal debate faz-se muito necessário, uma vez que o uso de animais para estes fins é muito comum, tomando-os como meros instrumentos, o que configura uma grande injustiça por especismo.       Em primeiro lugar, é necessário esclarecer o que se entende por especismo. Segundo o filósofo Peter Singer, trata-se uma postura que, a partir de uma classificação arbitrária baseada em critérios humanos, concebe os animais não-humanos como inferiores e julga, por isso, ser justa a sua utilização de acordo com os interesses da dita espécie superior. De acordo com essa perspectiva, a exploração de outras espécies, como o seu uso em testes de pesquisas científicas, não é justificável, configurando uma grande injustiça que deve ser combatida.

Nesse contexto, entretanto, cabe avaliar se o uso de animais se dá de forma dispensável, sem grandes impactos em sua eliminação, como no setor de cosméticos, ou se há uma dependência mais séria de seu uso, como no desenvolvimento de vacinas e medicamentos, essenciais para a manutenção da saúde humana. Esse ultimo caso se apresenta como um grande dilema, pois muitas vezes não há outras alternativas ao uso de animais e embora isso esteja longe de ser uma situação ideal, parece ser necessária.

Diante do exposto, fica claro que a instrumentalização de animais é bastante problemática, mas atualmente indispensável em muitos casos, sendo a sua superação ainda um desafio. Nesse sentido, a busca por novas alternativas faz-se muito importante, e cabe ao Estado incentivar, por meio de programas de financiamento, pesquisas científicas em universidades que visem desenvolver tecnologias alternativas, valorizando a dignidade animal e combatendo o especismo.