O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 09/12/2020

O filósofo francês Jean-Paul Sartre defendeu que cabe ao ser humano definir seu modo de agir, pois este seria livre e responsável por suas escolhas. Entretanto, percebe-se uma enorme irresponsabilidade da sociedade brasileira no que tange à questão do uso de animais em pesquisas e testes científicos. Nesse contexto, em virtude da falta de debate e do individualismo, surge um problema complexo, que deve ser revertido.

Convém salientar, a princípio, que o silenciamento é um fator determinante para a persistência da problemática. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o do uso de animais em testes científicos seja resolvido, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Dessa forma, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Em segunda análise, outro entrave encontrado é a falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange à questão do uso de animais em análises laboratoriais. Essa liquidez que influi sobre essa questão funciona como um forte empecilho para sua resolução.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Logo, é preciso que as escolas, em parceria com empresas privadas, incentivem rodas de leitura e discussão no ambiente escolar, a partir de obras literárias que abordem o uso de animais em pesquisas. Tais empresas podem fornecer os livros e os próprios professores realizarem o processo mediador, elaborando, posteriormente, exposições e mostras culturais que divulguem à comunidade o trabalho realizado. Assim, haverá maior debate acerca da exploração dos animais no meio científico.