O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 21/10/2020
O filme “101 Dálmatas”, da Disney, retrata o modo como a vilã Cruella De Vil usa os cães com o propósito de transformá-los em casacos de pele, priorizando somente seus interesses particulares e sem considerar o mal que pode ser causar a eles. Fora da ficção, é evidente que o uso de animais em estudos científicos tem gerado inúmeras discussões e pontos de vista opostos quanto às vantagens e os malefícios acarretados aos seres cobaias. Nessa perspectiva, pode-se dizer que esse desafio está diretamente associado à esfera econômica e, em muitos casos, fere as liberdades oferecidas aos animais, pontos que precisam ser discutidos no Brasil.
Conforme a Declaração Universal dos Direitos Animais, a experimentação, seja científica ou comercial, que implicar sofrimento é incompatível com as garantias dos seres. Visto isso, percebe-se que os múltiplos casos de maus tratos nos procedimentos e o mínimo interesse de entidades do ramo em desenvolver mecanismos que substituam os filhotes, para minimizar eventos negativos, contrariam os preceitos estabelecidos pelo documento internacional. Logo, sob a visão de Mahatma Gandhi, que afirma que a grandeza de uma nação pode ser julgada pela forma que seus animais são tratados, nota-se que a associação entre a problemática e os princípios éticos do Brasil é imprescindível para que essa atividade seja executada sem causar prejuízos.
Outrossim, o sociólogo Zygmunt Bauman, diz que a sociedade contemporânea é pautada pela fluidez e individualismo. Assim, o homem, ambicioso pelo desenvolvimento econômico e científico, mostra-se capaz de violar qualquer campo moral estudado pela bioética, como é o caso do uso de animais em experimentos que beneficiam somente a espécie humana. Ainda que esse modelo de pesquisa seja importante, pois proporciona o avanço da medicina e, consequentemente, melhora a qualidade de vida da população, é necessário que se faça o seguinte questionamento: até que ponto causar um esse mal para os animais é a melhor opção?
Portanto, torna-se evidente a necessidade de mobilização pelo fim dos testes em animais. Cabe ao Governo Federal reforçar os recursos destinados à pesquisa científica brasileira, de modo a impulsionar o desenvolvimento de tecnologias alternativas. Este também deve fornecer subsídios a empresas que abandonem a prática, visando maior aderência do setor privado à causa. Por fim, instituições de ensino deverão efetuar projetos educacionais e debates, com o objetivo de instigar nos jovens a consciência sobre o tema. Assim, serão atingidos verdadeiros avanços nos direitos dos animais no Brasil.