O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 23/10/2020
O filme “Okja”, produzido pela Netflix, mostra a história de amizade da garota Mija e de um super-porco, o Okja, fruto de uma experiência científica da pecuária. Não obstante do enredo cinematográfico, evidencie-se na sociedade contemporânea brasileira o uso de animais como cobaias em pesquisas e testes científicos. Diante disto, surge questões que devem ser debatidas, tais como o sofrimento dos seres submetidos a isso e o desenvolvimento de métodos alternativos a fim de mudar essa realidade.
O uso de animais com objetivos científicos é uma prática comum que vem sendo empregada desde a Antiguidade. Quase todos os remédios, recursos médicos, mecanismos cirúrgicos e tratamento que temos atualmente, foram obtidos através de testes e pesquisas em animais, pois o genoma desses animais contém basicamente os mesmos genes encontrados no genoma humano. Assim, estudar como esses genes funcionam em animais, como camundongos, pode auxiliar na descoberta de novas funções e características envolvidas com problemas que afetam a saúde humana.
Os animais usados em pesquisas e testes científicos são submetidos diariamente a crueldade. Muitos desses vêm a óbito, em virtude dos inúmeros testes horrendos a que são obrigados.
O tema ganhou notoriedade no Brasil em outubro de 2013, quando ativistas invadiram o laboratório do Instituto Royal, na cidade de São Roque, e roubaram 178 cachorros da raça Beagle, alegando suspeitas de maus-tratos. Os animais eram utilizados em testes para a criação de medicamentos contra câncer, diabetes e hipertensão.
Há métodos que podem substituir os testes em animais. Com o advento da Terceira Revolução Industrial, ocorreu um forte desenvolvimento na área das ciências naturais, tais como a técnica de testagem In Vitro, a cultura de células e tecidos e a pele em 3D para teste de cosméticos, que tem a composição muito mais próxima da pele humana podendo substituir o uso de animais. Todavia, no Brasil tais inovações sofrem com a falta de incentivos financeiros à ciência, levando a permanência das práticas ‘‘rudimentares’’, como a utilização de seres vivos como cobaias.
Logo, evidencia-se a necessidade da sintetização de ações que visem diminuir tal problemática. É dever do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), estabelecer políticas de proteção aos animais, como a obrigatoriedade da orientação de biólogos às indústrias. Além disso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, juntamente ao Governo Federal, financiar a comunidade científica brasileira, para o desenvolvimento e adoção de medidas alternativas de testagem. Ademais, o Ministério Público deve criar políticas públicas que tornem mais rigoroso o controle em indústrias e laboratórios que realizem experimentações com animais.