O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 26/10/2020

No contexto da guerra fria, no século XX, durante a corrida espacial, a URSS enviou, pela primeira vez na história, um ser vivo para o espaço. Em virtude do superaquecimento da aeronave, a cadela Laika morreu de forma drástica poucos dias após sua decolagem. Embora date de anos atrás, a questão do uso de animais em experimentos, em pleno século XXI, sugere as mesmas conotações daquele episódio: um avanço antiético. No entanto, o individualismo e a visão antropocêntrica dificultam a modificação desse cenário.

A priori, o anseio pelo progresso a qualquer custo exerce uma influência significativa nas relações humanas. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é pautada pela fluidez e pelo individualismo. Nessa perspectiva, o homem, ambicioso pelo desenvolvimento econômico e científico, mostra-se capaz de violar qualquer campo moral estudado pela bioética, como é o caso do uso de animais em experimentos que beneficiam somente a espécie humana. Ainda que esse modelo de pesquisa seja importante, pois proporciona o avanço da medicina e, consequentemente, melhora a qualidade de vida da população, é necessário que se faça o seguinte questionamento: até que ponto causar um holocausto animal é a melhor opção?

Sob outro ângulo, o campo da biologia que estuda a evolução nos mostra que todos os seres vivos evoluíram de um ancestral comum, não havendo, desse modo, espécies superiores ou mais evoluídas que as demais. Seguindo essa linha de pensamento, percebe-se que a visão antropocêntrica na qual o ser humano é visto como o centro do universo, muito difundida durante a idade média, é extremamente ultrapassada e irrealista. Destarte, não é razoável que o homem continue provocando maus tratos em outras espécies animais em prol do desenvolvimentismo, tornando-se necessária a busca por alternativas menos danosas.

Diante disso, fica claro que as pesquisas que envolvem animais como cobaias devem ser substituídas. Para isso, é imprescindível que haja um maior investimento em pesquisas sobre a cultura de tecidos in vitro que, basicamente, permite o estudo de células em meios artificiais sem necessariamente usufruir de animais para testes. Portanto, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia proporcionar todo o suporte aos cientistas brasileiros, por meio de investimentos nos campos científicos das universidades, para que, dessa forma, o desenvolvimento seja realizado sem que haja qualquer prejuízo físico e moral aos outros seres vivos.