O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 23/10/2020

O uso de animais em pesquisas e testes no Brasil

Os animais são usados nas ciências desde os primórdios da medicina. Cientistas renomados como os franceses François Hagendie e Claude Bernard desenvolveram estudos clássicos em fisiologia experimental; conterrâneo dos dois, o bacteriologista Louis Pasteur contribuiu para a validação dos métodos científicos com o uso de animais, ao estabelecer relações entre as enfermidades humanas e as doenças dos animais. “Hoje em dia sabemos que os animais têm consciência do que acontece ao redor deles e sentem medo, angústia e dor. Mas nós, seres humanos, também somos usados em pesquisa”, argumenta Octavio. Em sua opinião, o que difere os dois, além da questão da autonomia para ser voluntário, é que os animais são utilizados em uma fase inicial de pesquisa e, o homem, na fase posterior

Hoje, a resposta da maior parte dos cientistas é: sim, eles são necessários. “Ninguém opta por usar animais, havendo métodos alternativos validados e comprovadamente eficazes para aquele teste. Mas ainda hoje, apesar da evolução tecnológica, não existem alternativas válidas para todos os estudos que precisam ser realizados”, disse à Radis a médica veterinária Carla de Freitas Campos, diretora do Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos. Ela explicou que os animais ainda são os modelos mais parecidos com os humanos para se desenvolverem estudos científicos e tecnológicos em saúde. “Sem eles, muitas das grandes conquistas e prêmios Nobel na área da saúde, que hoje salvam milhares de vidas,  não teriam sido alcançados”.

Embora o termo cobaia tenha se popularizado e se tornado sinônimo de qualquer animal utilizado em experimentos, o camundongo é, de longe, o animal mais usado nas pesquisas. Os camundongos constituem a espécie que tem mais linhagens desenvolvidas por meio de cruzamentos e modificações genéticas para estudos científicos específicos. Nos Estados Unidos, país que mais realiza experimentação animal, registra-se o uso de até 26 milhões de camundongos e ratos por ano, o equivalente a 96 a 98% dos animais utilizados em experimentos, de acordo com o grupo de pesquisadores que mantém o site Speaking of research, que reúne informações precisas sobre a importância da investigação animal em ciência médica e veterinária. O número chama a atenção, mas é menor do que o de animais que são caçados por ano ou mortos no país por outros motivos, como atropelamentos. Só para alimentação, são abatidos por lá 9 bilhões de frangos a cada ano e cerca de 5 bilhões no Brasil.