O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 23/10/2020

O uso de animais na medicina é uma prática comum que vem sendo empregada desde a Antiguidade, mas para que essa prática seja aceitável do ponto de vista ético e exponha resultados eficazes, é dever do especialista a consciência de que o animal que está sendo utilizado como cobaia é um ser vivo e como tal possui instinto, além de ser sensível à dor. Esse é um assunto muito polêmico que gera discussões e que desencadeia uma grande divisão social entre os defensores de animais e os defensores da ciência que mostram a necessidade do uso de animais.

O uso de animais pode sim ser visto como cruel visto que nem todos respeitam os mesmos como seres tão importantes quanto o próprio ser humano e por isso muito deles acabam sofrendo maus tratos. Mas graças a tais experiências tivemos grandes conquistas que não seriam possíveis sem o uso de animais nos estudos de remédios, vacinas, antibióticos, cosméticos, cirurgias entre outros.

Entretanto, a ciência ainda não tem alternativas para todos os ensaios onde os animais são necessários. Por isso, para se estabelecer uma pesquisa, ou alguma produção de vacinas ou medicamentos, deve-se submetê-la a uma espécie de conselho de ética para estabelecer parâmetros de máxima redução de sofrimentos impostos aos animais, devendo ter o mesmo rigor que a realizada em seres humanos, dando-os toda atenção e cuidados. Em 2008, foi aprovada uma lei para regulamentar o uso de animais em procedimentos científicos e experimentais chamada Lei Arouca que define parâmetros para o uso de animais, bem como cria o Conselho Nacional de Controle e Experimentação Animal (CONCEA) e as Comissões de Ética no Uso de Animais (Ceuas). Para realização de experimentos com animais deve-se submeter o pedido aos comitês de ética e só poderão ser realizados, se for aprovado. Em 1959, o zoologista William M.S. Russell e o microbiologista Rex L. Burch publicaram um livro em que estabeleceram os três R’s das pesquisas em animais: replace (substituir), reduce (reduzir) e refine (refinar).

A população, de uma forma geral, não aprova os ensaios com animais, porém onde se consegue progressos nesse sentido, estes são extremamente válidos, como não utilizar cosméticos em animais, fazendo desse fato um produto de marketing positivo; em testes de toxicidade, neurociência e desenvolvimento de drogas. Até mesmo a legislação brasileira recomenda que se desenvolvam novos métodos. Como, por exemplo, os testes de irritabilidade que antes eram feitos em coelhos e agora são realizados com segurança em ovos embrionados. Porém, em outros campos da ciência, esse avanço ainda não se concretizou. Por isso, é importante saber que os pesquisadores estão lutando para desenvolverem métodos alternativos de pesquisa e minimizar o uso de animais.