O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 22/10/2020

Desde o iluminismo, o saber científico é reconhecido por sua importância no desenvolvimento da sociedade. Apesar do progresso feito na ciência desde então, ainda são utilizados métodos antiquados, como o uso de animais em experimentos. No livro “A revolução dos bichos”, de George Orwell, é retratada uma revolta dos animais contra os humanos, por consequência dos maus tratos sofridos diariamente. Fora da ficção, existe um grande debate sobre o uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil, isso, pois, esses testes ferem a integridade física das cobaias. Nesse cenário, por um lado, observa-se os avanços científicos necessários para o bem estar da população, e por outro lado, o retrocesso moral de muitas indústrias que praticam constantemente maus tratos. Destarte, faz-se pertinente debater acerca dessa problemática.

A priori, é imperioso destacar que o uso de animais em pesquisas científicas revolucionou a ciência no século XX. Os testes são necessários em alguns casos, pois sem eles, um produto produzido em massa, sendo tóxico, atingiria milhões de pessoas, desse modo, algumas centenas de animais são cobaias para que isso não ocorra. Dessa forma, além de conseguir prever reações ou não em humanos, os cientistas já conseguiram desenvolver tratamentos e curas para diversas doenças através desses testes, como nos anos 90 em que foram descobertos os novos remédios para a leucemia e os linfomas: os anticorpos monoclonais, esses foram desenvolvidos graças à investigação em ratos.

Outrossim, vale destacar que, segundo a People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) , 100 milhões de animais morrem em laboratórios todos os anos, devido a participações em testes científicos. Esses métodos são cruéis, pois muitas vezes, por exemplo, envolvem uma substância sendo esfregada na pele e produtos químicos nos olhos (sem alívio da dor), a fim de testar a irritação da pele e monitorar os efeitos colaterais de um ingrediente específico. Além disso, muitas empresas violam as regras e colocam os animais em estado de exploração, sem alimento e higiene. Dessa forma, no fim dos experimentos, os animais são executados frequentemente por injeção letal ou decapitação, denegrindo seus direitos a bem estar e a vida.

Diante desse panorama, faz-se imprescindível a tomada de medidas ao entrave abordado. Para tanto, cabe ao Governo Federal em parceria com o Conselho Nacional de Experimentação Animal (CONCEA), aumentar a fiscalização nas indústrias que usam animais para realizar testes científicos e tornar as multas mais rígidas para àqueles que violarem as leis. Ademais, é mister que o CONCEA torne as leis mais severas, restringindo o uso de animais em apenas testes que visem o saber científico e o progresso da sociedade como um todo.