O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 22/10/2020

Experimento com animais

É de conhecimento público que animais foram usados em diversas guerras ao longo da história, inclusive em testes para detonamento de bombas. Embora consideradas brutais por ativistas, práticas semelhantes perduram até os dias de hoje, destacando-se sobretudo os experimentos em cobaias animais. Estes geram intensa controvérsia, pois podem configurar um quadro de tortura, violando a Lei dos Crimes Ambientais, e a ética na pesquisa científica. “No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. O trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade se faz válido no contexto atual, uma vez que o uso de animais em experimentos representa uma pedra no meio do caminho das inovações científicas.

Primeiramente, é certo que a humanidade fez experimentos com animais para que, se houver erros, aqueles que sofrem com esses,  não serem humanos, considerando o fato de que ela é racional, isto é, não quer, prejudicar a si mesma nesse quesito. Em meados do século XX, na Segunda Guerra Mundial, prisioneiros humanos eram usados como cobaias em experimentos científicos. A prática com humanos foi proibida alguns anos depois, mas continuou com espécies animais como camundongos e coelhos. Apesar de, em alguns casos, não haver alternativas além do uso de cobaias, tal prática revela-se cruel e egoísta. Além disso, comprova-se ser ineficiente e apresentar falhas em 92% dos casos, segundo a Vigilância Sanitária dos EUA.

Ainda, de acordo pesquisa da Datafolha, cerca de 41% dos brasileiros são contra testes e pesquisas em animais. A partir desse dado, fica evidente que boa parte da população está consciente sobre os maus tratos e a crueldade que fazem parte dos experimentos. Outrossim, diversas manifestações acontecem com frequência, como no caso que ocorreu em São Paulo em 2012 quando ativistas invadiram um criadouro e libertaram cachorros beagles que eram usados em experimentações.

Portanto, torna-se evidente a necessidade de mobilização pelo fim dos testes em animais. Cabe ao Governo Federal reforçar os recursos destinados à pesquisa científica brasileira, de modo a impulsionar o desenvolvimento de tecnologias alternativas. Este também deve fornecer subsídios a empresas que abandonem a prática, visando maior aderência do setor privado à causa. Por fim, instituições de ensino deverão efetuar projetos educacionais e debates, com o objetivo de instigar nos jovens a consciência sobre o tema. Assim, serão atingidos verdadeiros avanços nos direitos dos animais no Brasil, para assim, reduzir o problema no presente e progredir no futuro sem a exploração dos animais.