O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 22/10/2020

A utilização de animais em laboratórios, tanto para fins médicos quanto para fins comerciais, é uma questão muito polêmica. Animais de várias espécies, sendo os camundongos mais intensamente utilizados, são empregados em experiências científicas e teste afim de comprovar a eficiência de produtos como vacinas, cosméticos, medicamentos, entre outros. O uso de animais com objetivos científicos é uma prática comum que vem sendo empregada desde a Antiguidade, mas para que essa prática seja aceitável e exponha resultados, é dever do especialista ter a consciência de que o animal que esta sendo usado como cobaia é um ser vivo que possui instinto, e que é sensível a dores.

A questão sobre os direitos dos animais e sua utilização em experimentos científicos vem sendo discutida desde de muitos anos, mas, em 1860 um fato ocorrido foi decisivo para o estabelecimento de limites no uso de animais como cobaias em experimentos de laboratórios. O fisiologista francês Claude Bernard dizia que o uso de animais vivos era indispensável para experimentação e, por isso, ele mantinha um laboratório e um biotério nos porões da sua própria casa. Com isso, cansadas de ouvir os gritos do animais sendo torturados, a esposa e a filha o abandonaram e fundaram a primeira sociedade em defesa dos animais. A partir dessa associação, diversas outras sociedades protetoras dos animais também foram fundadas, assim como leis especificas para esse tipo de uso dos animais.

A avaliação dos projetos de pesquisa em animais deve ter o mesmo rigor que a realizada em seres humanos, sendo que os animais utilizados nesses projetos científicos devem receber toda a atenção e cuidado. Para eles, a substituição de animais em experimentos científicos já avançou muito, podendo ser utilizado, no lugar de animais, culturas de células, simuladores e modelos matemáticos. Ainda assim, segundo Russel e Burch, os experimentos devem ser mais bem planejados e as instalações adequadas, com pesquisadores capacitados para fazerem pesquisas em animais.

Apesar de possibilitar inúmeros avanços para a medicina e biologia, ajudando a entender o funcionamento do corpo, o mecanismo de diversas doenças e o desenvolvimento de novos medicamentos, ainda hoje o seu uso é alvo de intensos debates éticos. Felizmente, diversos métodos alternativos têm sido desenvolvidos para mudar essa realidade. Muitos pesquisadores estão procurando maneiras de reduzir o uso de animais em testes e pesquisas. Devido a inovações na ciência, testes em animais estão sendo substituídos em áreas como testes de toxicidade, neurociência e desenvolvimento de drogas. A cultura de tecidos é uma dessas alternativas e está impactando positivamente a saúde humana, além de reduzir o número de seres vivos em pesquisa.