O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil
Enviada em 08/09/2020
Sabe-se que, com a popularização dos movimentos sociais ocorrida no último século, uma pauta que ganhou grande ênfase foi a luta pelos direitos dos animais, que combate a transformação desses seres em propriedade humana. No entanto, o uso de animais em pesquisas e em testes científicos no Brasil posterga diretamente a eficácia dessas mobilizações. Logo, tal fato se deve especialmente à negligência do Estado e tem como principal consequência a tortura e até a extinção desses bichos.
Em primeiro plano, cabe analisar a insipiência estatal ao não garantir o investimento necessário no âmbito científico. Nesse viés, consoante o filósofo inglês Francis Bacon, “o homem deve criar as oportunidades e não somente encontrá-las”, fato que não ocorre com regularidade no país, já que não há condições propícias à inovação. Desse modo, o Estado brasileiro caracteriza-se como uma “instituição zumbi”, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, pois não cumpre com sua função social ao impossibilitar o desenvolvimento de técnicas que substituam completamente o teste em animais.
Ademais, urge ressaltar os impactos negativos a curto e a longo prazo à fauna brasileira. Nesse sentido, de acordo com pesquisas do site “Speaking of research”, mais de 25 milhões de camundongos e de ratos são usados em estudos todos os anos nos Estados Unidos, analogamente, ao se observar a hodiernidade do Brasil, vê-se que os números também são exorbitantes. Dessa forma, depreende-se que a crueldade para com esses seres vivos é algo que necessita de urgente intervenção, uma vez que proporciona o sofrimento e a manifestação de transtornos psicológicos, além de aumentar drasticamente os riscos de extinção de espécies.
Diante dos fatos supracitados, medidas são necessárias com fim de mitigar o uso de seres em pesquisas e em testes. Portanto, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações frear tal tortura, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara, o qual proibirá os testes em animais, como fim de impulsionar a busca por alternativas, a qual contará com apoio financeiro do Estado. Destarte, a atuação dos movimentos sociais será validada.