O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 18/07/2020

Bom senso e progresso: quem vencerá o cabo de guerra?

O ano é 1944, em plena Batalha da Normandia, 2ª Guerra Mundial. Um soldado ferido é levado à ala de cirurgias. O médico insere em sua corrente sanguínea um forte anestésico, possibilitando a realização indolor da operação. Contudo, mesmo sem a incomensurável aflição da dor do corte de seus tecidos, o homem morre devido infecção bacteriana. A morfina, os antibióticos e inúmeros outros fármacos imprescindíveis para a plenitude do usufruto da vida foram e continuam sendo testados - por vezes desnecessariamente - em cobaias animais. Entretanto, tal ato seria necessário?

Na Constituição brasileira há menções sobre essas ações, transmitindo a ideia de que o uso de animais para pesquisas de toxicidade e medições estequiométricas só é autorizado quando o mesmo (o uso) for insubstituível. Culturas de células e “simples organismos” in vitro podem ser usadas, em certas ocasiões no lugar dos animais. Contudo, a complexidade das interações presentes no ser vivo “eficiente” - entre todos os órgãos e reações simpáticas e parassimpáticas - torna-o a perfeita base de testes para simular as respostas fisiológicas humanas. Sublinha-se que, em questão de paridade com a raça humana, camundongos possuem cerca de 80% de semelhança, e os chimpanzés, 96% do DNA igual ao humanoide.

Todavia, tal similaridade pode enganar os pesquisadores. Exemplo disso é a Talidomida, que devido sua quiralidade, afetou o organismo humano, mas não o dos animais cobaias. Sendo assim, percebe-se que mesmo sendo imprescindível o prévio teste (em não humanos), continua-se em busca de um “método” seguro em sua integridade. Ou seja, há um esforço conjunto da sociedade e de organizações não governamentais (que defendem os direitos dos animais irracionais) para criar uma cobaia insensível e com a maior similaridade com o ser humano. Em  vão até o momento, tais esforços mantêm aceso um conflito entre os que almejam a retirada completa dos experimentos em bichos e os que afirmam categoricamente sua necessidade.

Negar a importância dos testes, da determinação presente nos pesquisadores para achar soluções para os mais diversos problemas e da real insensibilidade necessária para realizar os experimentos é sinal de desconhecimento da conjuntura social atual. Há tanto pontos pró a manutenção das cobaias, como pontos contra, esses se baseando na crueldade e na dispensabilidade em incontáveis casos. Uma relação equilibrada entre ONGs (antes citadas) e institutos de pesquisa, visando o uso seguro e monitorado de animais quando necessário. Ter-se-á, então, harmonia entre o bom senso e o progresso.