O uso de animais em pesquisas e testes científicos no Brasil

Enviada em 25/06/2020

No Brasil, a utilização de animais em experimentos científicos é uma questão complexa, pois, por permitir o encontro entre saberes biológicos e éticos (bioética), acaba gerando conflitos entre a comunidade científica e certos grupos de ativistas. Desse modo, é necessário uma análise de ambos os pontos de vista, evitando generalizações e extremismos.

Em primeiro lugar, o principal argumento utilizado por aqueles que defendem essa prática reside nos fatos históricos de como a utilização de animais em experimentos científicos garantiu o avanço da medicina e, consequentemente, melhorou a vida do homem. Um bom exemplo é a penicilina, que, após sua descoberta acidental, só foi possível ser utilizada como medicamento após vários testes em roedores. Entretanto, certos grupos sociais, ignorando esses fatos, enxergam essas práticas como maus tratos aos animais, podendo gerar ações equivocadas, como o ocorrido, em 2013, no resgate de cães da raça Beagle no Instituto Royal por ativistas radicais. Portanto, é importante que ocorram ações educativas que desvinculem os experimentos científicos da ideia de crueldade.

Em contraponto, muitos grupos de ativistas destacam a questão das práticas excessivas, ou seja, a utilização de animais como cobaias em experimentos não relacionados à medicina, como é o caso dos cosméticos. Nesse quesito, é compreensível que há uma violação aos direitos de vida dos animais, pois, ao contrário do que ocorre em situações puramente científicas, estes são colocados em circunstâncias que buscam saciar questões irrelevantes para o avanço da humanidade, como a estética e a vaidade. Sendo assim, é notória a importância de agentes que atuem no rompimento dessas práticas exploratórias e desnecessárias.

Portanto, é perceptível que ambos os lados apresentam bons argumentos e que é possível a ocorrência de certas medidas que busquem criar um equilíbrio entre eles. As escolas, públicas e privadas, através do rearranjo das ementas escolares, devem promover atividades extraclasse ministradas por cientistas, que busquem mostrar aos alunos que, muitas vezes, por falta de aparatos tecnológicos, não há outro caminho que não seja a utilização de animais em experimentos, permitindo o rompimento do ideal de crueldade atribuído à comunidade científica. Ademais, o Poder Legislativo, por intermédio de parcerias com o Concea, deve criar leis que proíbam a prática de utilização de animais em testes para cosméticos, além de averiguar a necessidade dessas práticas em centros de pesquisas medicinais, garantindo uma maior regulamentação dessas atividades e promovendo o direito á vida desses animais.